A Copa do Mundo de 2026, que conta com um formato ampliado e 48 seleções, já apresenta um dado impressionante: a fase de grupos teve uma média de 2,99 gols por partida, a maior desde 1986. Esse fenômeno levanta questões sobre as razões por trás desse aumento significativo no número de gols.
Uma das explicações mais evidentes é o novo formato do torneio, que permite mais confrontos entre seleções de diferentes níveis. Com a inclusão de mais equipes, os jogos entre seleções fortes e fracas se tornaram mais frequentes, resultando em goleadas. Analisando os dados do ranking da FIFA, observa-se que o número de jogos desiguais aumentou de 13% para 30% entre 2014 e 2026. Esses jogos, em média, registram 3,3 gols, um aumento em relação aos 3 gols por partida nas Copas anteriores.
Entretanto, o aumento de gols não se limita apenas a essas partidas desequilibradas. Mesmo entre seleções de força semelhante, a média de gols subiu de 2,3 para 2,7. Isso sugere que as equipes estão não apenas criando mais oportunidades, mas também convertendo melhor as chances que têm.
Para entender melhor essa dinâmica, é importante considerar a estatística de gols esperados, ou xG. Essa métrica avalia a qualidade das finalizações, atribuindo uma nota a cada chute. Na Copa do Qatar, a média de xG foi de 2,62 por jogo, enquanto em 2026 esse número subiu para 2,72. Contudo, o aumento no número de gols foi mais significativo, subindo de 2,2 para 2,7, indicando que as equipes estão convertendo as chances com mais eficiência, mesmo que a qualidade das finalizações não tenha melhorado drasticamente.
Outro aspecto a ser considerado é a localização dos chutes. Em 2026, a média de finalizações foi mais centralizada, o que teoricamente deveria facilitar a defesa. Apesar disso, a taxa de conversão de gols aumentou em 13% em comparação com as Copas anteriores, desafiando as expectativas sobre a dificuldade dos goleiros em defender chutes de áreas mais favoráveis.
Um fator frequentemente mencionado em discussões sobre o aumento de gols é a bola utilizada no torneio, a Trionda. No entanto, testes realizados por físicos especializados indicam que a Trionda tem um voo mais estável do que suas predecessoras. Com um design que inclui sulcos profundos, a bola mantém sua trajetória em velocidades mais baixas, o que pode contribuir para a precisão dos chutes.
Assim, o aumento de gols na Copa de 2026 pode ser atribuído a uma combinação de fatores, incluindo o novo formato do torneio, a eficiência das finalizações e a tecnologia da bola. À medida que o torneio avança, será interessante observar se essa tendência se mantém e quais outros elementos podem influenciar o desempenho das seleções.




