A proposta de construção de um segundo aeroporto em Porto Alegre, defendida por um grupo de empresários e políticos gaúchos, gerou uma reação imediata da concessionária alemã Fraport, responsável pela administração do aeroporto internacional Salgado Filho. A empresa enviou uma carta ao Ministério de Portos e Aeroportos solicitando que o governo federal descarte a ideia do chamado “Aeroporto Internacional 20 de Setembro”. No documento, a Fraport argumenta que não há justificativa técnica ou econômica para o novo projeto, afirmando que o Salgado Filho possui infraestrutura suficiente para atender à demanda de passageiros e cargas nos próximos anos. A empresa destaca que, após a concessão em 2018, fez investimentos significativos, ampliando a pista de pouso e aumentando a capacidade anual de passageiros de 7,8 milhões para 16,2 milhões. Além disso, um novo terminal internacional de cargas foi construído, o que, segundo a Fraport, garante a operação sem restrições, incluindo para aeronaves cargueiras.
A defesa do novo aeroporto, por sua vez, é liderada pelo presidente do PSB gaúcho, Beto Albuquerque, que planeja apresentar um dossiê técnico ao governo federal. A proposta visa a construção de um aeroporto totalmente privado, localizado entre os municípios de Nova Santa Rita e Portão, a aproximadamente 27 quilômetros de Porto Alegre. Albuquerque argumenta que a nova estrutura é necessária, especialmente após os danos causados pela grande enchente de 2024, que afetou o funcionamento do Salgado Filho.
“Não estamos falando de competir com o Salgado Filho, mas de ter uma alternativa, tanto para cargas quanto para outros voos”, afirma Albuquerque. A iniciativa é apoiada por empresários da região do Vale dos Sinos e lideranças locais, que acreditam que a construção de um segundo aeroporto representaria um avanço significativo para o estado.
A movimentação em torno do projeto tem ganhado força, levando a Fraport a adotar uma postura mais ativa na defesa de sua posição. A concessionária ressalta que o Salgado Filho, após as melhorias, deixou de ser um aeroporto limitado e agora está preparado para atender à demanda projetada até o final da concessão, sem restrições. O Ministério de Portos e Aeroportos, até o momento, não analisou formalmente a proposta do novo aeroporto e afirmou que não há processos em andamento relacionados ao tema. Com a pressão crescente de defensores do projeto, a situação promete se intensificar nos próximos meses, enquanto as partes envolvidas buscam garantir suas posições no debate sobre o futuro da aviação em Porto Alegre.



