A eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona antigas rivalidades e disputas de poder nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O presidente Samir Xaud enfrenta sua primeira grande crise desde que assumiu o cargo, com denúncias sobre gastos questionáveis envolvendo recursos da entidade. No início do torneio, Xaud foi alvo de uma reportagem que revelou que ele teria utilizado dinheiro da CBF para cobrir despesas de viagens de amigas. Apesar de a confederação ter negado as acusações, a situação gerou desconfiança e levantou questões sobre a transparência na gestão da entidade. O clima de tensão aumentou após a eliminação da seleção, quando novos detalhes sobre os gastos de Xaud vieram à tona. De acordo com o diário Lance!, duas viagens internacionais feitas por uma irmã de Xaud coincidiram com amistosos da seleção e foram pagas pela CBF. O presidente alegou que, no final, foi ele quem arcou com as despesas, mas a revelação de comprovantes de pagamentos corporativos gerou ainda mais controvérsia. A pressão sobre Xaud é alimentada por um complexo tabuleiro de interesses políticos e econômicos. O atual presidente, que ocupa o cargo há pouco mais de um ano, foi escolhido pelas federações estaduais, que possuem mais poder de voto do que os clubes. Ele está sob a influência de um grupo liderado por Francisco Mendes, conhecido como Chico Mendes, que tem um papel significativo na CBF, embora não ocupe um cargo formal na entidade. Mendes é filho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e sua influência se estende à administração da confederação. Chico Mendes representa a CBF no Comitê Disciplinar da FIFA e, desde dezembro, é vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol. Seu poder na CBF é sustentado por um contrato firmado em 2023 entre o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e a CBF Academy, que lhe garante 84% da receita gerada por cursos oferecidos pela confederação. A situação de Xaud é delicada, uma vez que ele se vê cercado por aliados que podem rapidamente se tornar adversários, como já aconteceu com seu antecessor, Ednaldo Rodrigues. O clima de instabilidade na CBF reflete não apenas a pressão por resultados no campo, mas também a luta por influência e controle financeiro nos bastidores do futebol brasileiro. A eliminação da seleção não apenas frustrou os torcedores, mas também reacendeu as chamas das disputas internas, colocando em xeque a continuidade de Xaud no comando da CBF e revelando um cenário de intrigas e rivalidades que permeiam a gestão do futebol nacional.




