O Exército de Israel anunciou neste domingo (25) que as entradas para a Cisjordânia ocupada serão bloqueadas na próxima terça-feira (27), data das eleições legislativas em Israel. A decisão ocorre em meio a um cenário de tensão crescente na região, após um ataque que resultou na morte de dois soldados israelenses, levando Tel Aviv a ordenar a evacuação de cerca de 2.000 palestinos de suas casas em Hebron.
A Autoridade Palestina, que exerce um governo limitado na Cisjordânia, fez um apelo à comunidade internacional para que pressione Israel a proteger os deslocados. Relatos indicam que os moradores foram avisados por soldados, que usaram megafones durante a noite, para que deixassem suas residências rapidamente, levando apenas o que podiam.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou que a evacuação afetou aproximadamente 2.000 pessoas e afirmou que elas não poderão retornar até que as operações relacionadas ao Hamas em Hebron estejam concluídas. O Exército israelense informou que, entre os dias 23 e 24 de outubro, realizou operações em 40 áreas da Cisjordânia, resultando na captura de quase 40 suspeitos, incluindo indivíduos ligados ao Hamas e a outras organizações terroristas.
Além do bloqueio nas entradas e saídas para trabalhadores palestinos na Cisjordânia e no Vale do Jordão, o Exército também anunciou restrições em zonas industriais e passagens terrestres durante o dia das eleições. A cidade de Hebron, que abriga uma população mista de palestinos e colonos israelenses, está marcada por um clima de incerteza e medo, com muitos edifícios sendo sinalizados para indicar que foram desocupados.
Higazi Shawer al-Tamimi, um comerciante de 70 anos, relatou que foi acordado por soldados e teve apenas duas horas para arrumar algumas malas e documentos antes de deixar sua casa. Ele expressou sua indignação, afirmando que as ordens de evacuação são uma estratégia do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu para garantir sua vitória nas eleições, utilizando a situação dos palestinos como um trunfo político.
Netanyahu, que enfrenta uma eleição crucial para sua sobrevivência política, mencionou a intenção de lançar uma operação de grande escala em Hebron, comparável a ações militares históricas, como as realizadas durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. Seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, também se manifestou favoravelmente ao desmantelamento da Autoridade Palestina, apesar da falta de evidências que a conectem ao recente ataque.
A tensão na Cisjordânia tem aumentado, com colonos intensificando suas incursões violentas contra palestinos. A organização de direitos humanos israelense Yesh Din registrou 672 incidentes de violência nos últimos 26 dias, muitos deles ocorrendo durante a colheita de azeitonas, um período tradicionalmente marcado por conflitos. As pesquisas eleitorais recentes indicam um empate técnico entre Netanyahu e seu principal oponente, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército, que também se opõe à criação de um Estado palestino, mas promete combater a violência dos colonos. O governo de Netanyahu tem supervisionado uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia, que abriga cerca de 500 mil colonos e mais de 3 milhões de palestinos. A maioria da comunidade internacional considera esses assentamentos ilegais sob o direito internacional, enquanto Israel os considera como território disputado.
Em setembro, doze países, incluindo Canadá, Reino Unido e França, impuseram sanções ao governo israelense em resposta à expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada. O cenário atual, marcado por um aumento da violência e a complexidade política, continua a desafiar a busca por uma solução pacífica para o conflito na região.




