Ao menos quatro estados americanos aprovaram legislações que visam impedir casamentos entre humanos e modelos de inteligência artificial. Segundo um levantamento do site Wired, as medidas têm como objetivo garantir que as IAs não tenham os mesmos direitos constitucionais que os humanos em questões matrimoniais. Os estados que já implementaram essas leis são Idaho, Dakota do Norte, Utah e Tennessee, todos com governadores e maiorias parlamentares do Partido Republicano.
A crescente popularidade de aplicativos de relacionamentos que oferecem a possibilidade de uniões simbólicas entre humanos e chatbots, incluindo a entrega de alianças e certificados de compromisso, gerou preocupações entre políticos. Desde 2022, foram apresentados 23 projetos de lei em diversos estados para barrar essas práticas, com argumentos que muitas vezes ecoam os utilizados contra casamentos entre pessoas do mesmo sexo, como a defesa da “família tradicional”. O senador Joe Nicola, do Missouri, por exemplo, é um dos defensores dessa visão, alinhando-se a sua posição religiosa.
Um caso curioso foi relatado recentemente, onde uma mulher na Califórnia solicitou a um celebrante em Las Vegas que realizasse uma cerimônia de casamento com um chatbot. O celebrante, Kevin Breen, comentou que a mulher parecia normal e divertida durante a conversa, mas o matrimônio ainda não foi concretizado.
Essas situações inusitadas destacam um dos usos mais comuns da IA atualmente. Um estudo da Harvard Business Review analisou mais de 12.600 casos de uso de IA e revelou que as áreas de companhia e terapia foram as mais recorrentes para chatbots. Além disso, uma pesquisa do Institute for Family Studies indicou que cerca de 25% dos jovens adultos acreditam que a IA pode substituir completamente os relacionamentos amorosos entre humanos. Essas legislações e a crescente aceitação de relacionamentos com IAs refletem as complexas interações entre tecnologia e sociedade, levantando questões éticas e legais que ainda precisam ser debatidas.




