Post: Entidades criticam queda tímida da Selic e pedem ações mais robustas

Entidades criticam a recente queda da Selic, considerando-a insuficiente para aliviar a pressão financeira sobre empresas e famílias.
Entidades criticam queda tímida da Selic e pedem ações mais robustas

A recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, foi considerada insuficiente por diversas entidades industriais e trabalhistas. A taxa, que agora está em 13,75% ao ano, foi classificada como “tímida” e incapaz de aliviar a pressão financeira enfrentada por empresas e famílias.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação com o que considera um excesso de prudência por parte do Copom, especialmente diante da recente desaceleração da inflação, que atingiu 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto. Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou a importância de continuar o ciclo de cortes na Selic, afirmando que a manutenção de juros altos por longos períodos impõe um custo desnecessário à economia.

“É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, afirmou Alban.

Ainda segundo a CNI, mesmo após o corte, a política monetária continua austera. Com a Selic em 13,75%, o juro real está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, que é de 5% ao ano.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também se manifestou, considerando a redução um passo importante, mas insuficiente diante da elevada taxa de juros no país. A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, Neiva Ribeiro, destacou que a Selic impacta diretamente o custo de empréstimos e financiamentos, e que a redução, embora lenta, pode abrir espaço para um crédito mais acessível.

“O debate precisa ir além dos indicadores do mercado financeiro. Juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e redução do custo financeiro que pesa sobre famílias, empresas e o orçamento público”, afirmou Ribeiro.

A Força Sindical também criticou a decisão do Banco Central, considerando o corte de 0,25 ponto percentual muito tímido e um “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre. A central afirmou que o Banco Central tem adotado uma política que favorece banqueiros e especuladores, mantendo a taxa de juros em níveis proibitivos para o setor produtivo.

“Essa política de juros altos também diminui a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula os investimentos, comprometendo o crescimento econômico e a distribuição de renda”, concluiu a Força.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também se manifestou, considerando a redução da Selic positiva, mas ressaltando a necessidade de continuidade nesse movimento. O presidente da CBIC, Eduardo Almeida, destacou que o atual patamar da Selic, um dos mais elevados do mundo, representa um grande desafio para o setor da construção, que depende de crédito e possui um ciclo produtivo longo.

“Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade. Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”, afirmou Almeida.

Últimas Notícias