A Embraer, terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, está se destacando em um mercado dominado por gigantes como Airbus e Boeing. De acordo com a revista The Economist, a empresa brasileira, que tem uma fração do tamanho de suas concorrentes, está se preparando para um novo ciclo de crescimento, impulsionada por uma demanda crescente por seus aviões menores e jatos executivos.
Desde 2017, a Embraer tem promovido seu jato regional E2, conhecido como “Profit Hunter” ou “Caçador de Lucros” em português, destacando sua eficiência no consumo de combustível. Em 2021, a empresa entregou 141 aeronaves e espera alcançar 255 este ano. A carteira de pedidos da Embraer atingiu um recorde de US$ 34,5 bilhões (R$ 175,1 bilhões), refletindo a confiança dos investidores na capacidade da empresa de crescer substancialmente.
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, acredita que a empresa está em uma posição favorável para explorar novas oportunidades. Desde o início de 2021, o preço das ações da Embraer subiu cerca de dez vezes, superando o desempenho de Airbus e Boeing. Essa valorização está ligada à crescente demanda por jatos menores, especialmente em um contexto onde as companhias aéreas enfrentam longos períodos de espera por novos aviões de fuselagem estreita das duas gigantes do setor.
As dificuldades na cadeia de suprimentos, exacerbadas pela pandemia de Covid-19, resultaram em uma demanda crescente pelo E2, que pode ser entregue em menos de dois anos. Além disso, uma tendência emergente de viagens diretas entre aeroportos menores, ao invés de grandes hubs, está criando uma nova necessidade por aviões menores, como observa Ron Baur, da Azorra, uma empresa de leasing que já encomendou mais de 50 E2s.
A Embraer também se beneficia da sua posição única no mercado de jatos executivos, onde domina os modelos pequenos e médios. O Phenom 300, por exemplo, é o jato mais vendido em sua categoria há 14 anos. Além disso, a demanda por aeronaves militares, como o KC-390, está em alta devido ao aumento dos gastos com defesa em todo o mundo.
Gomes Neto vê a possibilidade de um novo ciclo de produtos que sustente um crescimento mais ambicioso. Uma das opções em consideração é a fabricação de um grande jato executivo, ou até mesmo o desenvolvimento de um jato comercial maior para competir diretamente com Airbus e Boeing. No entanto, essa empreitada exigiria um investimento significativo, estimado em cerca de US$ 10 bilhões (R$ 50,7 bilhões). Para isso, a Embraer precisaria encontrar parceiros dispostos a colaborar financeiramente, incluindo fabricantes de motores e investidores externos.
Embora a ideia de desafiar o duopólio da indústria aeroespacial seja atraente, também apresenta riscos consideráveis. A experiência da Bombardier, que quase a levou à falência ao tentar entrar nesse mercado, serve como um alerta. Guillaume Faury, presidente da Airbus, aconselhou a Embraer a “pensar duas vezes” antes de avançar.
Apesar dos desafios, a Embraer tem uma oportunidade única de utilizar sua experiência em fabricação e venda de jatos comerciais. Gomes Neto destaca que a empresa certificou quase 20 novas aeronaves nos últimos 20 anos, um feito impressionante que reforça sua credibilidade no setor. No entanto, a decisão sobre como proceder em relação ao duopólio ainda gera debate interno na empresa, embora Gomes Neto se mostre otimista: “Estamos muito confortáveis com a situação que temos.”



