Na última semana, Elon Musk, o magnata da tecnologia, fez uma escolha que reverberou no cenário geopolítico, ao decidir reduzir a velocidade da Starlink, sua rede de comunicações por satélite, impactando diretamente operações militares na Ucrânia. Essa decisão gerou um alvoroço entre autoridades americanas e ucranianas, revelando a influência que um único indivíduo pode ter sobre o destino de nações. A situação expõe uma realidade preocupante: a tecnologia encurta distâncias, mas mantém intacta a desconexão entre as decisões de Musk e suas consequências globais.
Neste domingo, o Brasil se prepara para um momento crucial, quando milhões de eleitores irão às urnas escolher o próximo presidente. Em regiões remotas, como partes do Amazonas e do Maranhão, a Starlink será utilizada para transmitir os resultados eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contratou a empresa Hughes para implementar essa tecnologia, um investimento de cerca de R$ 8 milhões. Curiosamente, o comunicado da Hughes não mencionou a Starlink, a verdadeira responsável pela infraestrutura.
Embora não haja evidências de que a Starlink possa manipular votos, a dependência do Estado em relação a empresas privadas levanta questões pertinentes. Um documento do Tribunal de Contas da União (TCU) destacou falhas na contratação, como a falta de responsabilidade direta da Starlink, o que poderia complicar a situação em caso de falhas na comunicação. Se a Starlink falhar, o TSE poderá responsabilizar a Hughes, mas não terá um canal direto para exigir a correção do problema.
O TSE também optou por não considerar alternativas tecnológicas que poderiam servir como backup, uma decisão que, embora tenha sido justificada por preocupações de custo, pode gerar desconfiança no processo eleitoral caso ocorram atrasos na transmissão dos resultados.
As razões para essas escolhas são compreensíveis, pois a administração pública deve equilibrar segurança, eficiência e custos. No entanto, a experiência da Ucrânia nos ensina que a dependência de infraestrutura tecnológica pode deixar um país vulnerável a decisões tomadas por empresas distantes. Uma penalidade contratual pode responsabilizar um fornecedor, mas não garante que o serviço será restabelecido quando necessário.
A soberania, outrora ligada ao controle territorial, agora se estende a redes digitais e plataformas de comunicação, tornando essencial discutir as garantias contratuais e a supervisão necessária para serviços considerados essenciais. O caso da Ucrânia não é único; Musk já utilizou a Starlink para ajudar outros países em situações de crise, demonstrando o poder que um empresário pode exercer sobre comunicações estratégicas.
Com a eleição se aproximando, a influência de Musk no Brasil levanta questões sobre a relação entre tecnologia e soberania. Embora ele não tenha declarado apoio a nenhum candidato, seu histórico de intervenções em questões políticas em outros países nos faz refletir sobre o impacto que suas decisões podem ter nas eleições brasileiras. O futuro político do Brasil pode, de fato, estar entrelaçado com o poder de um empresário que opera em uma esfera global, longe das fronteiras nacionais.




