Post: Dólar recua para R$ 5,17 após anúncio de recompra de títulos nos EUA

Dólar cai para R$ 5,17 após anúncio do Tesouro dos EUA sobre recompra de títulos, aliviando pressão sobre juros.
Dólar recua para R$ 5,17 após anúncio de recompra de títulos nos EUA

O mercado financeiro global recebeu com otimismo o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos sobre a ampliação das operações de recompra de títulos públicos. Essa medida resultou em uma forte queda do dólar, que fechou a R$ 5,17, e um avanço significativo do Ibovespa, que subiu quase 1%.

O anúncio do Tesouro, que pretende aumentar o volume das operações de recompra de títulos de longo prazo, trouxe alívio aos investidores. A expectativa é que essa ação reduza a pressão sobre os juros dos Treasuries e aumente o apetite global por ativos de risco, refletindo diretamente no desempenho das bolsas e moedas ao redor do mundo.

Na prática, o dólar à vista foi cotado a R$ 5,177, apresentando uma variação negativa de 0,86%. O Ibovespa, por sua vez, alcançou 167.830,27 pontos, com uma alta de 0,9%. Essa recuperação interrompeu uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda, a mais longa desde 2023.

Durante a manhã, a moeda americana chegou a ser negociada a R$ 5,15, marcando a primeira vez que o dólar fechou abaixo de R$ 5,20 após três sessões. Na véspera, o dólar havia encerrado a R$ 5,22, o maior valor desde 30 de março, quando foi cotado a R$ 5,24. Apesar da queda, a moeda acumula alta de 1,83% na semana e 2,09% em agosto, após uma queda de 1,79% em julho.

A medida do Tesouro dos EUA, que prevê operações de recompra entre 9 de setembro e 4 de novembro, terá um volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação, dobrando o montante anterior de US$ 2 bilhões. Essa iniciativa visa aliviar a pressão sobre o mercado de renda fixa, não apenas nos Estados Unidos, mas também em outros países desenvolvidos. Com a redução dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, parte dos recursos globais começou a buscar ativos mais arriscados, incluindo os mercados emergentes.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,87%, fechando a 98,793 pontos.

O Ibovespa, que chegou a superar os 170 mil pontos durante o dia, atingindo uma máxima de 170.340,60 pontos, perdeu força ao longo da sessão, com a mínima registrada em 166.334,73 pontos. A alta foi impulsionada principalmente por ações de setores como petróleo, mineração e bancos, que são de grande peso no índice. Nos 11 pregões anteriores, o Ibovespa havia acumulado uma perda de 6,55%.

A ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed) também foi um ponto de atenção para os investidores, embora seu impacto sobre o comportamento do dólar tenha sido limitado. O documento revelou preocupações dos dirigentes do banco central americano em relação à inflação, com alguns membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) dispostos a aumentar os juros, caso a inflação não convergisse para a meta de 2%.

Apesar da recuperação observada, o mercado acionário brasileiro ainda enfrenta desafios internos, como os altos níveis de juros e as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral. A saída de capital estrangeiro também continua sendo uma preocupação, com um saldo negativo de R$ 18,6 bilhões em investimentos estrangeiros na bolsa até 17 de agosto. Essa combinação de fatores internacionais e domésticos mantém o mercado brasileiro suscetível a oscilações. No entanto, o alívio proporcionado pelas operações de recompra de títulos nos EUA e a maior disposição global para assumir riscos beneficiaram o real e as ações brasileiras.

* com informações da Reuters

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