O dólar começou a sexta-feira (21) em queda, refletindo o desempenho da moeda americana no mercado internacional. Os investidores estão atentos ao noticiário político nacional, especialmente com a expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa Datafolha prevista para as 18h40. Às 9h48, a moeda norte-americana registrava uma queda de 0,36%, sendo cotada a R$ 5,175. Nesse mesmo momento, o índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, apresentava um recuo de 0,13%.
Na sessão anterior, o dólar havia encerrado em alta de 0,33%, enquanto a Bolsa de Valores se manteve praticamente estável, com um leve avanço de 0,05%, alcançando os 167.927 pontos. A valorização do petróleo foi um fator que beneficiou as ações da Petrobras, cujas altas contribuíram para limitar as perdas do índice.
O cenário externo também exerce influência sobre o mercado cambial. Analistas comentam sobre a intensificação do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que irá implementar uma “guerra econômica sem precedentes” contra o Irã, além de ameaçar países que ofereçam qualquer tipo de ajuda financeira ao regime iraniano. Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que essa estratégia visa “desviar a atenção da própria crise dos Estados Unidos”. Nos últimos dias, o Irã também considerou a possibilidade de atacar alvos militares americanos na Europa, caso Trump intensifique suas ações.
A situação no estreito de Hormuz continua tensa, com o Irã exigindo que os Estados Unidos cumpram as condições de um acordo provisório firmado em junho. Entre as exigências estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e a interrupção das operações militares americanas.
Historicamente, o estreito de Hormuz é uma rota crucial, responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente. Com a interrupção dessa rota, os investidores temem um possível choque na oferta de energia, o que eleva a cautela nos mercados e pode impactar a inflação em escala global.
Com esse cenário indefinido, o preço do barril de petróleo voltou a subir. Por volta das 10h, o Brent, referência mundial da commodity, apresentava um aumento de 0,25%, sendo negociado a US$ 93,97. Esse movimento teve um efeito positivo sobre o setor de petróleo na Bolsa brasileira, que viu suas ações se valorizarem. Na quinta-feira, as ações ordinárias da Petrobras subiram 2,63%, enquanto as preferenciais avançaram 2,80%.
A escalada de tensões no Oriente Médio está impulsionando o preço do Brent, o que gera preocupações inflacionárias, mas também sustenta as ações ligadas ao petróleo no Brasil. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, “a escalada de tensões no Oriente Médio empurra o Brent para cima, o que alimenta preocupações inflacionárias, porém também sustenta as ações ligadas ao petróleo no Brasil, como Petrobras, que aparecem entre os principais suportes do índice.”



