A disputa pela sucessão no Reino de Tooro, em Uganda, intensificou-se após a morte do rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, que era considerado o monarca mais jovem do mundo. O falecimento ocorreu enquanto o rei estava em tratamento contra o câncer nos Estados Unidos, aos 34 anos, após mais de três décadas de reinado. A situação se complicou com a nomeação do príncipe Edward Rukidi Kijanangoma, um popular apresentador de telejornal, como o novo monarca, decisão que foi prontamente rejeitada pela família do falecido rei.
A princesa Ruth Komuntale, irmã de Oyo, afirmou que o rei deixou um testamento datado de 2022, no qual nomeava seu filho pequeno como seu sucessor. “Meu irmão deixou um herdeiro para o trono, e isso foi declarado com muita clareza”, declarou ela, criticando aqueles que anunciaram Kijanangoma como o novo rei, acusando-os de criar “confusão e tumulto” em um momento de luto.
A rainha-mãe, Best Kemigisa, também se manifestou, relatando que a família real estava sendo impedida de se mover livremente, descrevendo a situação como uma “prisão domiciliar”. Ela fez um apelo ao exército e ao presidente Yoweri Museveni para que permitissem que a família pudesse lamentar e enterrar Oyo em paz. “Apelo àqueles que lutam pelo trono: por favor, haverá tempo para tudo isso. Deixem-nos lamentar e enterrar meu filho, o Rei Oyo”, pediu a rainha.
O funeral do rei está previsto para ocorrer no sábado, e milhares de pessoas são esperadas para o sepultamento nos túmulos reais perto do palácio em Fort Portal, no oeste de Uganda. O corpo de Oyo foi repatriado dos Estados Unidos na última sexta-feira, e os preparativos para a cerimônia estão em andamento.
O Reino de Tooro é um dos vários reinos tradicionais de Uganda, que, embora não possuam autoridade política formal, desempenham um papel cultural significativo na região. A monarquia foi abolida em 1967, mas foi restaurada na década de 1990 sob o governo de Museveni, com os monarcas sendo reconhecidos como líderes culturais. A complexidade da sucessão no Reino de Tooro se destaca em contraste com a monarquia britânica, onde a coroa passa de acordo com uma linha de sucessão estabelecida. No caso de Tooro, o monarca é escolhido entre os Babiito, o clã dinástico real.
A divergência sobre a sucessão também trouxe à tona a existência do filho de Oyo, cuja identidade não foi divulgada anteriormente. O presidente Museveni mencionou a criança em suas declarações, mas não foram fornecidos detalhes adicionais sobre o herdeiro. A situação continua a evoluir, com a família real e os anciãos do clã disputando a legitimidade da sucessão e a liderança do reino.



