A ida dos torcedores brasileiros ao jogo de estreia da Seleção na Copa do Mundo, marcada para este sábado (13), contra Marrocos, se transformou em uma verdadeira operação logística. O MetLife Stadium, localizado em East Rutherford, Nova Jersey, que receberá a partida, está a cerca de 24 km de Williamsburg, no Brooklyn, onde reside a gerente de produto Isabella Duarte, de 33 anos. Para ela, o planejamento do deslocamento foi fundamental devido ao receio de enfrentar o trânsito intenso e os altos preços do transporte público na região.
Isabella optou por um ônibus fretado, que custou US$ 20 (aproximadamente R$ 101) para o trajeto de ida e volta. Apesar de ter encontrado uma alternativa mais econômica, ela teve que se organizar com antecedência. “Teve que envolver um certo planejamento”, contou à Folha. A maior preocupação de Isabella é o retorno após a partida. Para a ida, ela embarcará às 14h (horário local) e pretende chegar ao ponto de saída para o estádio com pelo menos 30 minutos de antecedência, conforme recomendado pela organização do evento. No entanto, a expectativa de aglomerações na volta a deixa apreensiva. “Não sei quão caótico vai ser o shuttle. Na volta é por ordem de chegada, e ele só opera até três horas depois do jogo. Imagino todo mundo saindo ao mesmo tempo e tentando entrar nos ônibus”, disse.
Outro fator que pode complicar ainda mais a mobilidade na região é a possibilidade de o New York Knicks, time da NBA, conquistar o campeonato na mesma noite. Para aqueles que optarem pelo trem indicado pelos organizadores, a NJ Transit, responsável pelo transporte público em Nova Jersey e partes de Nova York e Pensilvânia, fixou o preço do serviço em US$ 98 (cerca de R$ 496), um aumento substancial em relação aos US$ 12,90 (R$ 65,29) cobrados normalmente. Inicialmente, a tarifa chegou a ser fixada em US$ 150 (R$ 759), mas foi reduzida após intervenção de patrocinadores, permanecendo, no entanto, mais de sete vezes acima do preço habitual.
Isabella expressou sua frustração com os altos custos do transporte: “Foi estressante pensar no transporte quando anunciaram que o trem de Nova Jersey ia custar cerca de US$ 100 para ir e voltar”. A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, orientou a NJ Transit a não repassar custos aos moradores ou contribuintes, concentrando as despesas nos torcedores da Copa. A FIFA, por sua vez, classificou os preços como “assustadores”, enquanto Sherrill questionou publicamente por que a entidade, que pode lucrar até US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões) com o Mundial, não ajudaria a cobrir os custos do transporte público.
A preocupação com o transporte também foi compartilhada por Paula Macaggi, de 36 anos, moradora de Manhattan. A podcaster decidiu optar pelo trem para evitar os congestionamentos esperados. “Achamos mais seguro e mais garantido para chegar no horário”, afirmou. Paula, que costuma ir ao US Open de metrô sem dificuldades, vê a Copa como um evento que traz desafios logísticos adicionais, refletindo a complexidade de se deslocar em grandes eventos esportivos em áreas metropolitanas. À medida que a expectativa cresce para o jogo, a logística em torno do evento se torna um tema central entre os torcedores, que buscam maneiras de garantir que a experiência de assistir à partida seja memorável, apesar das dificuldades de transporte.




