A Abividro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro) protocolou na última segunda-feira (20) uma denúncia no Ministério Público Federal sobre possíveis fraudes na geração de créditos de reciclagem de vidro no Brasil. Segundo a associação, milhares de toneladas de vidro podem ter sido declaradas em notas fiscais sem a comprovação de que foram efetivamente destinadas à reciclagem. A denúncia aponta operações com volumes incompatíveis com a capacidade de coleta de determinadas regiões ou empresas.
A Abividro afirma ter consultado empresas recicladoras que disseram não reconhecer parte do volume de vidro registrado em relatórios de 2024 pelas entidades gestoras Ambipar, Instituto Giro, Faccio, Pragma e Polen. Ou seja, parte do material declarado nos documentos não teria chegado até as indústrias que realizam a reciclagem.
A associação usou como base do levantamento relatórios disponíveis no Sinir (Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos), que haviam sido aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com exceção da documentação do Instituto Giro, aprovada com ressalvas pela pasta.
Empresas compram esses créditos para comprovar a reciclagem do percentual mínimo de embalagens de vidro exigido por lei, em um sistema conhecido como logística reversa. Se for confirmado que houve emissão de créditos de reciclagem sem lastro, dados oficiais de reaproveitamento do vidro no país podem estar comprometidos, levantando questionamentos sobre se as empresas realmente alcançaram as metas de reciclagem previstas legalmente.
Em nota, o MMA afirma que recebeu a denúncia e realiza averiguações junto aos operadores, entidades gestoras e verificadores independentes para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis. A pasta diz que está desenhando um plano de ação para garantir a transparência e a integridade do sistema de reciclagem de vidro no Brasil. Essa situação ressalta a importância de um monitoramento rigoroso para assegurar que os processos de reciclagem sejam efetivos e que as metas ambientais sejam cumpridas, garantindo assim a sustentabilidade do setor.



