Post: CMN estabelece regime especial para fundos de inovação no Eco Invest Brasil

CMN institui regime especial para fundos de inovação no Eco Invest Brasil, visando mobilizar investimentos em projetos sustentáveis.
CMN estabelece regime especial para fundos de inovação no Eco Invest Brasil

O Conselho Monetário Nacional (CMN) instituiu um regime especial para os fundos de inovação do programa Eco Invest Brasil, que visa mobilizar investimentos privados em projetos voltados à transição ecológica. As novas regras, aprovadas na última quinta-feira (30), visam facilitar o quinto leilão do programa, que se propõe a financiar iniciativas de modernização em seis setores da economia verde.

De acordo com o governo, as alterações buscam alinhar a regulamentação aos novos instrumentos financeiros voltados ao financiamento da inovação e aprimorar as regras operacionais identificadas nas etapas anteriores do programa. Uma das principais inovações é a definição de um cronograma para que os recursos captados pelos fundos sejam efetivamente investidos nos projetos apoiados.

O novo calendário estabelece que 25% dos recursos devem ser aplicados em até 24 meses, mais 25% em até 36 meses e os 50% restantes em até 60 meses. Isso significa que, nos primeiros três anos, metade dos investimentos deverá ser aplicada, com a conclusão de todos os aportes em até cinco anos. O CMN acredita que essa medida proporcionará maior previsibilidade no uso dos recursos, garantindo que o capital captado seja direcionado aos projetos dentro de um cronograma definido.

A resolução também introduz regras específicas para a remuneração das instituições financeiras que participam das operações dos Fundos de Inovação. Os principais limites estabelecidos incluem uma remuneração de até 2% ao ano para as instituições que disponibilizarem recursos aos fundos, 1% ao ano para os recursos da Linha Eco Invest Brasil e um teto de 3% ao ano para operações realizadas com esses recursos. A soma das remunerações deve ser limitada a 3% ao ano, com o percentual definido caso a caso, conforme as características de cada fundo.

O capital catalítico, que representa os recursos públicos utilizados para atrair investimentos privados, será fundamental nesse modelo. O governo busca, assim, reduzir parte dos riscos das operações, estimulando a participação de investidores privados. Essas medidas visam preservar o papel dos recursos públicos como instrumentos de mitigação de riscos, evitando que sejam utilizados prioritariamente para aumentar a rentabilidade das instituições financeiras.

Os fundos de inovação poderão investir em empresas por meio de instrumentos financeiros que, futuramente, podem ser convertidos em participação societária. Nesses casos, a remuneração mínima será equivalente à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acrescida de 1% ao ano, com possibilidade de remuneração adicional caso o projeto tenha um desempenho superior ao esperado.

Os novos fundos de inovação têm como objetivo financiar projetos estratégicos para a transição ecológica e o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Entre os segmentos contemplados estão fertilizantes verdes, combustíveis verdes avançados, automação industrial, inteligência artificial aplicada à produção, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e química verde, incluindo biomateriais e reaproveitamento de resíduos minerais. Espera-se que esses investimentos aumentem a competitividade da indústria brasileira e estimulem tecnologias voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.

A Linha Eco Invest Brasil, criada para atrair capital privado, inclusive internacional, para projetos sustentáveis, integra o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC). Além do financiamento, o programa oferece mecanismos de proteção cambial e compartilhamento de riscos, reduzindo os custos para investidores e ampliando o acesso a recursos de longo prazo para iniciativas ligadas à economia de baixo carbono.

O CMN, que é responsável por definir as diretrizes da política monetária e do sistema financeiro brasileiro, é atualmente presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e conta com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Com a atualização das regras, o governo busca proporcionar maior segurança jurídica e previsibilidade aos investimentos previstos na Linha Eco Invest Brasil, ampliando os instrumentos de financiamento para projetos de inovação voltados à transição ecológica e ao desenvolvimento industrial sustentável.

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