A China está em negociações para sediar uma cúpula entre seu líder, Xi Jinping, e os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin. A informação foi divulgada nesta terça-feira (1º) pelo assessor presidencial russo, Iuri Uchakov, que indicou que o encontro pode ocorrer durante a próxima reunião da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), programada para os dias 18 e 19 de novembro na cidade chinesa de Shenzhen.
O fórum econômico, que existe desde 1989, reúne 21 países da região do Pacífico e é considerado um espaço de baixa densidade política, sem a mesma influência das iniciativas diplomáticas lideradas pela China, como o bloco Brics. Uchakov, que é um dos principais negociadores russos na Guerra da Ucrânia, fez o anúncio durante sua participação na reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) no Quirguistão.
“Se tudo ocorrer conforme discutido, os três líderes se encontrarão”, afirmou Uchakov, embora ainda não haja reações oficiais de Washington ou Pequim sobre a possibilidade do encontro.
Desde que Trump reassumiu a presidência em 2025, ele se encontrou pessoalmente com Putin uma vez e com Xi duas vezes. Neste mês, Trump deve receber Xi na Casa Branca, o que pode ser um indicativo do estreitamento das relações entre os dois países.
Caso a cúpula se concretize, será a primeira vez que os três líderes, que desempenham papéis significativos na política global, se reúnem. Embora compartilhem interesses comuns, existem diferenças marcantes entre eles. Putin, apesar de ser um ator importante com vasto arsenal nuclear e recursos energéticos, é visto como um sócio minoritário na aliança com Xi, que busca contrabalançar a influência americana.
A invasão da Ucrânia, iniciada há mais de quatro anos, continua a ser um dos principais desafios geopolíticos enfrentados por Putin. O conflito, que se intensificou recentemente, resultou em um aumento significativo no número de civis mortos, refletindo a falta de perspectivas diplomáticas para a resolução da crise. A situação se complicou ainda mais com a mudança de foco de Trump, que, após priorizar a guerra, agora se concentra em seus próprios conflitos internos.
Além disso, as tensões entre os Estados Unidos e o Irã também ressurgiram, com ataques pontuais voltando a ocorrer após um período de relativa calmaria. A cúpula, portanto, não apenas abordaria as relações entre os três líderes, mas também as complexas dinâmicas de poder e conflito que permeiam o cenário internacional atual.




