O cavalo de corrida anteriormente conhecido como “Pintor Austríaco” teve seu nome alterado após uma denúncia que considerou a denominação “ofensiva ou ameaçadora”. O nome original fazia alusão a Adolf Hitler, que, além de ser austríaco, também era pintor. A expressão “pintor austríaco” tem sido utilizada como um termo codificado em algumas partes da internet para se referir ao líder nazista.
O Jockey Club Registry, responsável pela aprovação de nomes de cavalos de corrida nos Estados Unidos e no Canadá, recebeu reclamações sobre a denominação. Após análise, a entidade decidiu que o nome violava suas diretrizes e ordenou a mudança. O novo nome escolhido pelo proprietário do animal, Scott Herbertson, é “Merrylegs”.
O potro de dois anos, que venceu sua estreia em uma pista molhada no hipódromo Horseshoe Indianapolis, superou cinco competidores e, após a vitória, Herbertson compartilhou sua alegria nas redes sociais, mencionando que o cavalo havia vencido o Derby de 2027. Apesar do entusiasmo, a conquista não o coloca como um forte candidato ao Kentucky Derby, dado que a corrida é apenas o início de sua trajetória.
O cavalo, que largou com odds de 7 para 2, pagou US$ 9 (aproximadamente R$ 44,86) por uma aposta de US$ 2 (cerca de R$ 9,97) na vitória. Embora o locutor tenha anunciado o nome “Pintor Austríaco” durante a corrida, os resultados oficiais agora o listam como “Merrylegs”.
Além disso, o Jockey Club também removeu o nome de uma irmã de Merrylegs, que havia sido batizada de “New Order”. Essa denominação é uma tradução comum do termo “Neuordnung”, que se refere ao conceito político e social que os nazistas tentaram implementar na Alemanha e nos territórios ocupados. A potranca, que agora está sem nome, tem apenas um ano e ainda não está pronta para competir.
Herbertson não comentou sobre a mudança, mas disse ao veículo Horse Racing Nation que o pintor favorito de sua esposa é Gustav Klimt, um renomado artista austríaco, e que sua banda favorita é o grupo dos anos 1980, New Order.
O Jockey Club se absteve de fornecer mais detalhes sobre a decisão, apenas reiterando que o nome original foi considerado “ofensivo ou ameaçador”. Embora mudanças de nomes não sejam comuns após a competição, elas ocorrem quando um nome passa despercebido no processo de avaliação do Jockey Club. Um caso semelhante ocorreu em 2019, quando um cavalo chamado “Noose” foi rebatizado para “Scabbard” após críticas sobre a conotação do nome relacionada a linchamentos.
Os proprietários de cavalos de corrida devem seguir diretrizes rigorosas ao sugerir nomes, evitando não apenas nomes ofensivos, mas também aqueles que possam remeter a pessoas vivas sem autorização, duplicatas de nomes de outros cavalos que competiram recentemente, e nomes de marcas registradas.
Essa mudança no nome do cavalo reflete a sensibilidade crescente em relação a nomenclaturas que possam remeter a figuras históricas controversas, especialmente em um contexto onde o discurso sobre a história e suas implicações continua a ser debatido.




