O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta segunda-feira (8) a aquisição de 11,9% do capital da Oncoclínicas pelos fundos Quíron e Tessália, ambos controlados pelo Banco Master. A formalização da operação ocorreu com quase dois anos de atraso, após o Tribunal do Cade concluir, em abril deste ano, que a entrada dos fundos na Oncoclínicas configurava gun jumping, termo que se refere a negócios realizados antes da análise obrigatória do órgão antitruste.
A aprovação do Cade é um passo significativo no contexto de liquidação do Banco Master e pode proporcionar um alívio financeiro para a Oncoclínicas, que enfrenta prejuízos superiores a R$ 438,7 milhões. As participações do banco de Daniel Vorcaro na Oncoclínicas ocorreram em três etapas. A primeira, realizada em 8 de maio de 2024, consistiu na compra de 5,02% das ações da companhia na bolsa pelos fundos de investimento Nautilus e Montenegro, então geridos pela WNT Gestora. Até aquele momento, os beneficiários finais dos fundos permaneciam ocultos.
Duas semanas depois, em 22 de maio, o Master firmou um acordo de investimento com a Oncoclínicas, pelo qual os fundos Quíron e Tessália subscreveriam ações em um aumento de capital que representaria cerca de 11,9% da companhia. Naquela ocasião, o Master declarou oficialmente controlar apenas 0,1156% das ações da rede de clínicas para tratamento oncológico.
Em 26 de junho daquele ano, os fundos da WNT voltaram a adquirir ações da empresa na bolsa, elevando a participação para 10,01%. O acordo com os fundos Tessália e Quíron foi consumado em 10 de julho, e no dia seguinte, o Master notificou a Oncoclínicas de que os fundos da WNT também estavam sob seu controle, indicando que o banco detinha um total de 20,18% das ações.
Quando o Cade abriu a investigação sobre a operação, a Oncoclínicas argumentou que a notificação havia perdido seu objeto, uma vez que, em setembro de 2024, um novo aumento de capital diluiu a participação total do Master para menos de 20%, desfazendo o gatilho que tornava a operação de notificação obrigatória. Contudo, o Tribunal do Cade rejeitou esse argumento e determinou a notificação mesmo assim.
Nesta segunda-feira, a Superintendência-Geral do Conselho aprovou a operação sem restrições. A Oncoclínicas, que atualmente possui 146 unidades em 49 cidades do Brasil, inclui clínicas, laboratórios de genômica e patologia, unidades de prevenção e diagnóstico e centros integrados de tratamento ao câncer.
Quando o Banco Central decretou a liquidação do Master no final do ano passado, a Oncoclínicas informou ao mercado que tinha R$ 433 milhões em CDBs do banco vencidos antecipadamente. A rede chegou a fechar um acordo de ressarcimento dos CDBs, com pagamentos previstos em 20 parcelas até maio de 2027, mas os repasses foram interrompidos com o fim das atividades do banco. Para mitigar parte da perda, a companhia afirmou que exerceria uma opção de compra das cotas dos fundos Quíron e Tessália como forma de recuperar parte do valor perdido com os CDBs.
Sem a aprovação do Cade, a titularidade das participações da Oncoclínicas ligadas aos fundos Quíron e Tessália permaneceria prejudicada, impedindo tanto o exercício da opção de compra quanto a recuperação financeira esperada pela empresa.




