Post: Banco Central inicia divulgação mensal de indicadores sobre reajustes salariais negociados

Banco Central começa a divulgar mensalmente indicadores sobre reajustes salariais, ampliando o monitoramento do mercado de trabalho.

O Banco Central (BC) implementou uma nova medida que promete transformar a forma como os reajustes salariais são monitorados no Brasil. A partir de agora, os indicadores referentes às negociações salariais realizadas por meio de convenções coletivas de trabalho serão divulgados mensalmente, oferecendo uma visão mais clara e detalhada do cenário salarial no país.

Esses dados são gerados a partir do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego, e visam ampliar o acompanhamento das condições do mercado de trabalho e sua relação com a dinâmica inflacionária. As informações podem ser encontradas no boxe do Relatório de Política Monetária de setembro de 2026 e na Nota Técnica 60, ambos disponíveis no site do BC.

Os novos indicadores reúnem informações cruciais sobre os reajustes salariais, incluindo dados sobre aumentos nominais e reais, a participação de convenções que concedem aumentos acima, abaixo ou iguais à inflação, além da quantidade de instrumentos coletivos utilizados nas negociações. Essas estatísticas abrangem convenções coletivas de todas as regiões do Brasil e serão disponibilizadas regularmente no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS).

Ricardo Sabbadini, Chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, destacou a importância desses indicadores: “Os indicadores construídos a partir das convenções coletivas oferecem uma visão abrangente dos reajustes negociados no setor privado formal. Os resultados mostram que a inflação passada continua sendo uma referência importante nas negociações e ajudam a avaliar como as condições do mercado de trabalho influenciam a dinâmica salarial no país.”

A nova base de dados permitirá um acompanhamento mais preciso do comportamento das negociações salariais no setor privado formal. Um estudo do BC, também publicado no boxe do Relatório de Política Monetária de setembro de 2026, revela que os reajustes pactuados têm uma forte aderência à inflação passada, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Apesar de não haver uma obrigação legal de reposição integral da inflação, os dados indicam que a variação dos preços continua sendo uma referência central para empregadores e trabalhadores durante as negociações coletivas.

A análise ainda evidencia que os resultados das negociações variam conforme as condições do mercado de trabalho. Entre 2012 e 2014 e novamente após 2023, períodos marcados por taxas de desocupação relativamente baixas, houve um aumento na participação de convenções com reajustes superiores à inflação. Os dados também permitem identificar potenciais diferenças entre setores econômicos, com agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços apresentando trajetórias semelhantes ao longo do período analisado.

A divulgação regular dessas estatísticas amplia o conjunto de informações disponíveis para a análise do mercado de trabalho e seus reflexos sobre a inflação, oferecendo à sociedade uma nova ferramenta para acompanhar a evolução dos salários negociados no país.

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