A temporada de observação das baleias-francas no sul de Santa Catarina começou de forma surpreendente, com o primeiro avistamento registrado em maio e a aparição do primeiro filhote em junho, na Praia de Itapirubá Norte, em Imbituba. Este fenômeno ocorre semanas antes do período tradicional, que se estende de julho a novembro, com pico em setembro. A antecipação na chegada das baleias-francas-austral (Eubalaena australis) chama a atenção dos especialistas, pois foge do ciclo migratório habitual da espécie, que passa o verão nas águas próximas à Antártica e inicia sua migração reprodutiva entre maio e junho.
Camila Moraes dos Santos, oceanógrafa do Oceanic Aquarium de Balneário Camboriú, explica que, embora a antecipação não seja inédita, é importante observar se essa tendência se consolidará. Karina Groch, diretora de pesquisa do Instituto Australis/ProFranca, que monitora a espécie há décadas, destaca que, apesar dos registros de chegadas mais precoces nos últimos anos, ainda não se pode afirmar que isso representa uma mudança climática significativa. O monitoramento contínuo é essencial para distinguir variações naturais de mudanças permanentes.
A região entre Garopaba, Imbituba e Laguna é considerada a principal área reprodutiva da baleia-franca no Brasil, devido às suas enseadas protegidas, que oferecem condições ideais para a amamentação e o descanso dos filhotes. A baleia-franca, uma das maiores do litoral brasileiro, pode atingir até 17 metros e pesar 60 toneladas. Ao contrário da jubarte, que se mantém em águas mais profundas durante a reprodução, a baleia-franca prefere águas rasas e calmas, o que facilita a observação próxima à costa.
Apesar da recuperação significativa da população de baleias-francas no Brasil nas últimas décadas, a espécie ainda é classificada como vulnerável. Fatores como colisões com embarcações, emalhamento em redes de pesca e degradação do ambiente costeiro continuam a ameaçar a sobrevivência dos animais. A pressão humana é intensa, especialmente nas áreas costeiras onde mães e filhotes costumam permanecer.
Desde 2012, a observação de baleias a partir de embarcações está proibida judicialmente na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em decorrência de ações civis públicas. A discussão sobre a possível retomada do turismo de observação segue em aberto, e em 2024, um edital de credenciamento de operadoras foi suspenso pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por considerar que as medidas de proteção propostas não eram adequadas.
Para quem deseja observar as baleias, a recomendação é buscar pontos elevados e respeitar as áreas protegidas. A Rota da Baleia Franca, que integra os municípios de Garopaba, Imbituba e Laguna, movimenta cerca de 190 empresas ligadas ao turismo, como hospedagem e alimentação. Estima-se que o ecossistema de observação de baleias no Brasil gere cerca de R$ 500 milhões anualmente, impulsionando diversas atividades turísticas.
Além da observação das baleias, a cidade de Florianópolis promove a educação ambiental por meio de exposições e atividades relacionadas à espécie, como a II Exposição Baleia Franca Austral, que oferece programação gratuita até setembro. A mostra inclui palestras, oficinas e atividades de avistamento, contribuindo para a conscientização sobre a importância da conservação das baleias-francas e seu habitat.




