A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou nesta quinta-feira (22) que a exportação de soja do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa, pode cair 0,8% em 2027 em comparação a 2026, totalizando 113 milhões de toneladas. Apesar da redução no volume exportado, a receita deve atingir níveis recordes, impulsionada por preços mais altos. A expectativa de queda na exportação está relacionada a um aumento significativo na demanda interna por soja, especialmente devido à maior mistura obrigatória de biodiesel no diesel, que deve elevar o processamento no país.
A Abiove, que representa grandes empresas como ADM, Amaggi, Bunge, Cargill, Cofco e Louis Dreyfus Company, projeta que o esmagamento de soja atingirá um recorde de 66 milhões de toneladas, um crescimento de 3,8% em relação a 2026. O diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, destacou que o aumento na demanda nacional por farelo e óleo de soja é fundamental para a produção de alimentos e biocombustíveis. “Esse cenário consistente de alta no processamento nos prepara estrategicamente para continuar suprindo o país diante da expectativa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março”, afirmou.
A previsão de menor exportação está também ligada a um crescimento modesto da produção de soja, que deve aumentar apenas 0,7%, totalizando 181,6 milhões de toneladas. Esse número considera as condições climáticas adversas, como o fenômeno El Niño, que pode afetar a produção ao reduzir chuvas em algumas regiões.
Além disso, a Abiove revisou para baixo a projeção de exportação de soja do Brasil em 2026, que agora é de 113,9 milhões de toneladas, embora ainda represente um recorde em comparação aos 108,18 milhões de toneladas de 2025.
A maior demanda interna também deve refletir em um aumento na produção e exportação de farelo de soja, com uma alta de 3,8% na fabricação desse insumo, que deve chegar a 50,8 milhões de toneladas em 2027. As vendas externas de farelo devem alcançar 26,3 milhões de toneladas, um crescimento de 4% em relação ao ano anterior. A produção de óleo de soja também deve crescer, alcançando 13,27 milhões de toneladas, com uma parte significativa destinada à produção de biodiesel.
Embora as exportações de soja em grão apresentem uma leve queda, os preços mais altos dos produtos devem compensar essa redução. A Abiove estima que as receitas com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) podem alcançar um recorde de US$ 69,3 bilhões em 2027, em comparação aos US$ 60,3 bilhões projetados para 2026. A soja deve representar a maior parte dessas receitas, com US$ 56,5 bilhões, superando o recorde anterior de US$ 67,3 bilhões registrado em 2023.




