As ações das Lojas Americanas tiveram um aumento significativo nesta terça-feira (20), superando 20% após a Justiça do Rio de Janeiro encerrar o processo de recuperação judicial da varejista, conforme anunciado na noite de segunda-feira (19). Por volta das 12h40, os papéis estavam cotados a R$ 7,28, com um pico de 25% de valorização, alcançando R$ 7,50 durante o dia.
A decisão foi proferida pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, que considerou que as obrigações do plano de recuperação judicial foram cumpridas até o prazo estipulado, que se encerrará em fevereiro de 2024. A Americanas havia solicitado recuperação judicial em janeiro de 2023, em meio a uma crise financeira severa.
Embora o encerramento do processo tenha trazido alívio para a empresa, a insatisfação entre os credores persiste. O juiz destacou que ainda é possível que os credores contestem o cumprimento do plano ou solicitem a falência da companhia. A principal resistência vem de credores que possuem títulos em moeda estrangeira, conhecidos como bondholders, que alegam que seus créditos foram convertidos de dólares para reais sem a devida autorização, resultando em pagamentos inferiores aos esperados.
Fernando Soares, CEO da Americanas, comentou sobre a situação em nota, afirmando que a empresa implementou um plano de readequação nos últimos dois anos, apresentando indicadores de rentabilidade em crescimento. Ele destacou que o ganho operacional aumentou em R$ 500 milhões durante o período, com um crescimento de 9,3% no primeiro semestre de 2026 e uma alta de 10,3% na receita bruta por metro quadrado.
“A Americanas passou por um processo desafiador, mas agora se apresenta mais forte e pronta para recuperar sua posição no varejo físico brasileiro”, declarou Soares.
Quando a Americanas solicitou recuperação judicial, a empresa informou ter uma dívida aproximada de R$ 43 bilhões e mais de 16,3 mil credores. O pedido foi feito logo após a descoberta de discrepâncias contábeis de R$ 20 bilhões em seus balanços, que envolviam, entre outras questões, contratos de verba de propaganda cooperada, utilizados para manipular a contabilização de obrigações com fornecedores através de créditos fictícios. Essas irregularidades vieram à tona em um momento crítico, quando a companhia enfrentava altas taxas de juros e dependia de linhas de crédito bancárias.




