Representantes do agronegócio brasileiro expressam preocupação com o bloqueio da União Europeia (UE) à carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil, que se torna oficial a partir de setembro. O governo federal é apontado como responsável pela falta de ação adequada para reverter essa situação, que afeta diretamente a economia do setor. Na semana passada, a UE divulgou uma lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, excluindo o Brasil, o que inclui não apenas carne bovina, mas também carne de aves, equídeos e pescados, além de subprodutos como tripas, ovos e mel.
A decisão da Comissão Europeia foi baseada na ausência de informações que comprovem o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Em resposta ao bloqueio, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), solicitando agilidade nas tratativas internacionais para superar os entraves existentes. A entidade enfatiza que a morosidade do governo federal na prestação de informações é um fator crucial para o embargo.
O Paraná, que lidera a avicultura brasileira, representa mais de 34% da produção nacional e cerca de 41% das exportações de carne de frango. Em 2022, as exportações de produtos que podem ser proibidos na Europa totalizaram US$ 235 milhões. O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que é inaceitável que os mercados brasileiros sejam ameaçados pela falta de agilidade do governo. “O agro brasileiro precisa de uma ação imediata para evitar a suspensão dos negócios e problemas para os pecuaristas”, declarou.
A Faep também argumenta que o embargo não reflete o real status sanitário da pecuária nacional, já que o Paraná é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) também criticou a falta de coordenação do governo federal em responder às exigências da UE, afirmando que a proibição não foi uma surpresa para o mercado.
O ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, atribui o bloqueio à “incompetência do governo federal”, ressaltando que a diplomacia deveria ter sido mais proativa antes da imposição do embargo. Ele mencionou que o governo deveria ter se antecipado às exigências europeias, apresentando documentação e evidências de conformidade. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também criticou a falta de resposta às exigências sanitárias, destacando que outros países da América Latina conseguiram se adequar e estão liberados para exportar.
Além das questões burocráticas, especialistas alertam que o Brasil corre o risco de perder competitividade internacional se não comprovar o cumprimento das regras sanitárias exigidas por mercados rigorosos. A advogada Ieda Queiroz enfatiza que a UE exige evidências concretas de conformidade, e a falta de comprovação pode ter um impacto duradouro na credibilidade do Brasil no mercado global.
O Mapa foi questionado sobre as críticas à sua lentidão em responder às exigências da UE, mas não se manifestou. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou que mantém diálogos com as autoridades europeias, mas não divulgou detalhes das negociações em andamento, visando preservar a condução do processo.
A situação do embargo europeu à carne brasileira levanta questões sobre a governança sanitária do país e a necessidade de uma resposta mais ágil e eficaz por parte do governo, a fim de garantir a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.




