Post: Número de refugiados e deslocados cai pela primeira vez em 10 anos, aponta Acnur

Relatório do Acnur revela que o número de refugiados e deslocados caiu pela primeira vez em 10 anos, mas retornos ocorrem em condições precárias.
Número de refugiados e deslocados cai pela primeira vez em 10 anos, aponta Acnur

A população de refugiados e deslocados internos no mundo apresentou uma queda pela primeira vez em dez anos, conforme aponta o relatório do Acnur, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Em 2025, o total de pessoas forçadas a fugir de perseguições, conflitos e violações de direitos humanos foi de 117,8 milhões, representando uma redução de 4% em relação ao ano anterior.

Entretanto, essa diminuição não deve ser celebrada como uma boa notícia. O relatório revela que a queda se deve, em grande parte, ao aumento de 50% no retorno de refugiados e deslocados a países em condições precárias, como Afeganistão, República Democrática do Congo, Sudão e Síria, totalizando 14,7 milhões de retornos. Este é o segundo maior volume de retornados registrado nos últimos 60 anos.

A maioria dos retornos ocorreu em circunstâncias adversas, com muitos indivíduos voltando a áreas onde a segurança é escassa e o acesso a serviços básicos é limitado. Por exemplo, cerca de 1,38 milhão de afegãos retornaram do Irã, impulsionados pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o regime de Teerã, além de políticas mais restritivas do governo iraniano em relação a refugiados. Outros 559 mil afegãos voltaram do Paquistão, também de forma não voluntária, devido a mudanças nas políticas de acolhimento.

Na Síria, que enfrentou uma das maiores crises de refugiados do mundo, a situação começou a mudar em dezembro de 2024, após a queda do regime de Bashar al-Assad. Durante 2025, aproximadamente 1,3 milhão de sírios retornaram do exterior, quase três vezes mais do que no ano anterior, enquanto 2 milhões de deslocados internos voltaram a suas áreas de origem. No entanto, a situação no país continua volátil, com episódios de violência em várias regiões e a infraestrutura severamente danificada após mais de uma década de conflito.

O Sudão, que já está em seu quarto ano de conflito, também viu um aumento no retorno de refugiados e deslocados internos para áreas onde os combates diminuíram. Em 2025, 651,5 mil refugiados sudaneses e 2,9 milhões de deslocados internos voltaram ao país ou a seus locais de origem.

Na Venezuela, a percepção de que as condições estão melhorando levou a um aumento nos retornos. Desde 2018, mais de 1,2 milhão de venezuelanos retornaram ao país, dos mais de 7 milhões que haviam deixado. O Brasil se destaca como um dos principais países que acolhem refugiados venezuelanos, com cerca de 699 mil, segundo o Acnur. Os principais destinos dos venezuelanos incluem Colômbia, Peru, Chile e Equador.

Com o aumento nos retornos, o número total de refugiados caiu para 35,6 milhões em 2025, uma redução de 3,5%. Além disso, quase 6 milhões de refugiados palestinos permanecem sob o mandato da UNRWA, a agência da ONU responsável por esse grupo. Essa nova realidade levanta questões sobre as condições de vida e a segurança dos que estão retornando, evidenciando que, em muitos casos, o retorno não é uma escolha, mas uma necessidade imposta por circunstâncias adversas.

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