A Companhia Brasileira de Tratores (CBT) foi um ícone da indústria nacional nas décadas de 1970 e 1980, destacando-se no mercado de tratores ao atender as necessidades específicas dos agricultores brasileiros. Fundada por Mário Pereira Lopes no interior de São Paulo, a CBT se tornou sinônimo de robustez e simplicidade, oferecendo máquinas projetadas para enfrentar as duras condições do Cerrado. Enquanto tratores importados frequentemente apresentavam falhas, os modelos da CBT, equipados com motores Mercedes-Benz, eram conhecidos pela durabilidade e facilidade de manutenção, características que os tornaram populares entre os produtores rurais.
Com o sucesso nas vendas, a CBT decidiu diversificar seus produtos, lançando iniciativas como o CBT Tarpan, uma aeronave agrícola, e o jipe Javali, um veículo utilitário. No entanto, essas novas empreitadas enfrentaram desafios significativos, como altos custos de produção e a concorrência de marcas já estabelecidas no mercado, o que resultou em vendas abaixo do esperado.
A partir da década de 1990, a CBT enfrentou uma ‘tempestade perfeita’ que culminou em sua falência. A abertura abrupta das importações promovida pelo governo Collor, combinada com a falta de crédito para os agricultores, levou a uma queda drástica nas vendas. Nesse período, tratores estrangeiros, mais modernos e com tecnologias avançadas, entraram no mercado brasileiro a preços competitivos, tornando os modelos da CBT obsoletos.
A produção da CBT foi encerrada em 1995, e o pedido oficial de falência foi feito em novembro daquele ano, com o decreto definitivo assinado em 1997. O fechamento da empresa resultou em mais de 1.800 trabalhadores desempregados e dívidas que somavam cerca de R$ 400 milhões. O patrimônio da CBT foi leiloado para saldar credores, e o antigo parque industrial foi adquirido pela companhia aérea TAM, que o transformou em um centro tecnológico.
Atualmente, a CBT é lembrada com nostalgia por colecionadores e entusiastas, com modelos antigos sendo vendidos por preços que podem ultrapassar R$ 78 mil em plataformas especializadas. A história da CBT não apenas evoca um sentimento de saudade, mas também levanta questões sobre a trajetória do Brasil como uma potência agroexportadora que, ao longo dos anos, se tornou dependente de tecnologia estrangeira para a produção de máquinas pesadas. Essa narrativa reflete um dilema nacional: como o país pode equilibrar sua capacidade de produção interna com a necessidade de inovação e competitividade no mercado global?




