Post: Presidente da Bolívia afirma que protestos são fomentados por narcoterroristas

Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirma que protestos são impulsionados por narcoterroristas e promulga lei para estado de exceção.
Presidente da Bolívia afirma que protestos são fomentados por narcoterroristas

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou nesta segunda-feira (8) que os protestos em seu país são impulsionados por “narcoterroristas” e advertiu que “os dias deles estão contados”. A declaração ocorreu após a promulgação de uma lei que lhe confere poderes para decretar estado de exceção, uma medida que pode restringir liberdades civis e autorizar o uso das forças armadas para conter as manifestações.

Os protestos, que já duram cinco semanas, são liderados por operários, camponeses, mineiros, caminhoneiros e professores, que realizam bloqueios de estradas em várias cidades, causando escassez de produtos essenciais. Em La Paz e na vizinha El Alto, os preços de alimentos, como carnes e vegetais, dobraram, enquanto filas de veículos se formam nos postos de gasolina e hospitais enfrentam falta de medicamentos.

Durante um ato no palácio do governo, onde promulgou a nova norma, Paz esteve acompanhado por ministros e altos comandantes militares e policiais. Ele afirmou que quatro policiais foram feridos a bala em confrontos recentes com os manifestantes, que, segundo ele, estão ligados ao tráfico de drogas.

“Chega de bloqueios. Estamos cansados de pagar tanto pelos nossos alimentos”, desabafou Eva Mallea, uma comerciante de 56 anos, em meio ao caos econômico que se instalou no país. O governo, que agora se alinha mais estreitamente aos Estados Unidos, acusou o ex-presidente Evo Morales de ser o mentor por trás dos protestos, que, segundo Paz, visam “alterar a ordem democrática”.

Morales, que se encontra foragido devido a acusações de tráfico de uma menor, classificou os protestos como uma “rebelião” contra um governo que considera submisso aos interesses dos EUA. Os manifestantes rejeitam as propostas de reformas de Paz, que encerraram duas décadas de governos socialistas e não apresentaram soluções eficazes para a grave crise econômica que o país enfrenta desde 2023.

Com bandeiras brancas e gritos de “Paz para La Paz!”, centenas de bolivianos marcharam pelo centro da capital, clamando pelo fim dos bloqueios que agravam ainda mais a crise. Ninoska Díaz, uma comerciante que participou da marcha, expressou sua indignação: “Não podemos aguentar mais a fome do povo, que está com as dispensas vazias”.

Nos últimos dias, a situação se intensificou, com confrontos entre policiais e manifestantes em La Paz e Santa Cruz, onde o governo alegou a presença de indivíduos armados. A Bolívia, que enfrenta uma grave crise econômica, viu suas reservas financeiras se esgotarem devido a políticas de subsídios que não foram sustentáveis. A gestão de Paz eliminou esses subsídios em dezembro, mas a crise persiste, levando a um aumento nos preços e à insatisfação popular.

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