A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a referência oficial da inflação no Brasil, foi elevada de 5,09% para 5,11% para este ano. Essa estimativa foi divulgada no Boletim Focus da última segunda-feira (8), uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC) que reúne as expectativas das instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
A pressão sobre os preços, especialmente devido à guerra no Oriente Médio, tem contribuído para essa elevação. Esta é a décima terceira semana consecutiva em que a previsão para o IPCA é ajustada para cima, ultrapassando o intervalo da meta estabelecida pelo BC.
A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que significa que o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
Em abril, os preços dos alimentos tiveram um impacto significativo na inflação oficial, que fechou em 0,67%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,39%, ainda dentro do teto da meta de inflação. A divulgação da inflação de maio está prevista para a próxima sexta-feira (12) pelo IBGE.
Para 2027, a projeção da inflação foi ajustada de 4,02% para 4,03%. As estimativas para 2028 e 2029 são de 3,65% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic e seus efeitos
O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal instrumento para alcançar a meta de inflação. Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano, conforme decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) em sua última reunião em abril. O colegiado decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez consecutiva, mesmo diante das tensões globais.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic alcançou 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Copom voltou a cortar os juros em um cenário de queda da inflação, mas a guerra no Oriente Médio, que afetou os preços de combustíveis e alimentos, complica a atuação do colegiado. Em ata, o Copom não indicou a direção futura dos juros, mas mencionou que está monitorando o conflito e seus possíveis efeitos sobre a inflação.
O próximo encontro do Copom para discutir a Selic está agendado para os dias 16 e 17 de junho.
Nesta edição do Focus, a expectativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o final de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de que a Selic caia para 11,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve se estabilizar em 10% ao ano.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é controlar a demanda aquecida, o que impacta os preços, já que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, a redução da Selic tende a tornar o crédito mais acessível, estimulando a produção e o consumo, mas também pode dificultar o controle da inflação.
Expectativas para PIB e câmbio
Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi ajustada de 1,9% para 1,91%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão do PIB de 2% para ambos os anos.
No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira cresceu 1,1% em comparação ao último trimestre de 2025. No acumulado de 12 meses, houve uma expansão de 2%, conforme dados do IBGE. Em 2025, a economia cresceu 2,3%, com crescimento em todos os setores, especialmente na agropecuária.
No Focus desta semana, a previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,15 para o final deste ano, e para o fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana atinja R$ 5,20.



