
A única maneira de confirmar se o Irã está buscando desenvolver uma bomba atômica é garantir o acesso completo de inspetores às suas instalações nucleares. Essa afirmação foi feita por Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em entrevista à Folha, durante uma coletiva na sede da agência em Viena. Desde os ataques dos Estados Unidos ao programa nuclear iraniano em 2025, a AIEA não tem conseguido inspecionar essas instalações, o que levanta preocupações sobre o cumprimento do Tratado de Não Proliferação Nuclear por parte do Irã.
Grossi, que está concorrendo para ser o próximo secretário-geral da ONU, destacou a importância de restabelecer o diálogo com Teerã, embora reconheça que a comunicação está severamente prejudicada. “Tenho tido apenas contatos esporádicos com o Ministério das Relações Exteriores do Irã. Os canais de comunicação estão cortados”, afirmou. A situação se complica ainda mais com a recente escalada de hostilidades no Oriente Médio, que torna o acesso a essas instalações ainda mais desafiador.
Nesta semana, a AIEA se reúne com os 35 membros de seu Conselho de Governadores, onde uma resolução proposta pelos Estados Unidos exigindo acesso de inspetores ao Irã deve ser discutida. Observadores acreditam que a resolução tem boas chances de ser aprovada. O Irã, por sua vez, tem criticado Grossi, acusando-o de favorecer os interesses americanos. O diretor-geral, no entanto, defendeu sua posição, afirmando que suas opiniões estão fundamentadas em relatórios técnicos e não em política.
Ele reiterou que a solução para a crise deve ser diplomática e que líderes como o presidente Lula podem desempenhar um papel importante nesse processo. Grossi também expressou sua preocupação com a ausência da ONU em decisões sobre conflitos globais, afirmando que a organização poderia ser mais ativa na mediação de crises. Na Ucrânia, por exemplo, a AIEA tem trabalhado para manter um frágil cessar-fogo em torno da usina de Zaporíjia, que permanece sob ocupação russa. A escalada de tensões no Oriente Médio se intensificou recentemente, com o Irã atacando alvos no norte de Israel, em resposta a bombardeios israelenses. A situação é delicada e requer atenção internacional, especialmente considerando os riscos associados ao programa nuclear iraniano. Grossi enfatizou que o acesso a essas instalações é vital para garantir a transparência e a segurança na região, e que a comunidade internacional deve se mobilizar para evitar um conflito maior.




