O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, manifestou-se fortemente contra a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em uma coletiva de imprensa realizada em Brasília, nesta terça-feira (2), Alckmin classificou a proposta como “extremamente injusta” e “totalmente descabida”.
Alckmin ressaltou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em reverter essa recomendação antes que ela seja formalizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. O vice-presidente enfatizou que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, criado pelo Banco Central em 2020, não está em negociação, pois “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”.
“O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, afirmou Alckmin.
Ação de sabotadores internos
O vice-presidente também denunciou a presença de “sabotadores” internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais. “Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocando seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, disse Alckmin.
Ele alertou que essa postura de sabotagem tem reflexos negativos no emprego, na renda e afeta as empresas brasileiras e a sociedade como um todo.
Desigualdade nas transações comerciais
Alckmin rebateu os argumentos de Washington sobre o desequilíbrio nas transações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, afirmando que a balança comercial é “amplamente favorável” aos Estados Unidos. Em 2022, o Brasil registrou um superávit de US$ 40 bilhões nas transações com os norte-americanos.
Ele destacou que, dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos ao Brasil, oito têm alíquota zero, enquanto a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre importações norte-americanas é de apenas 3,1%. Alckmin também mencionou o protecionismo do governo Trump em setores como o do açúcar, onde o Brasil enfrenta uma sobretaxa de 80% sobre o excedente da cota de importação.
“Há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país”, lamentou.
Avanços na agenda climática
Em relação ao desmatamento ilegal, Alckmin destacou os avanços do Brasil na agenda climática, mencionando que o país registrou a maior queda no desmatamento nos últimos sete anos, com uma redução de mais de 50% na Amazônia. Ele reafirmou o compromisso do Brasil de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Intensificação do diálogo
O vice-presidente enfatizou a importância de intensificar o diálogo técnico entre Brasil e Estados Unidos, por meio de um grupo de trabalho bilateral, para tentar reverter ou mitigar a taxação até o prazo final, marcado para 15 de julho. Alckmin lembrou que o diálogo já está em andamento e que o presidente Lula teve encontros recentes com Trump, sendo o mais recente em 7 de maio na Casa Branca.
Os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reunirão com o representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, durante o conselho ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que acontece nesta quarta-feira (3) em Paris.



