O cenário político na Colômbia ganhou novos contornos após as declarações do senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, que, no último domingo (31), insinuou a existência de irregularidades em 10 milhões de votos nas eleições. Contudo, nesta segunda-feira (1º), Cepeda fez um recuo significativo, afirmando que não há evidências que sustentem suas alegações de fraude.
Durante um discurso acalorado na noite de domingo, Cepeda havia declarado que a contagem de votos estava repleta de erros e que 885 mil votos eram suspeitos, sem, no entanto, apresentar provas concretas. Ele afirmou: “Hoje tivemos 10 milhões de votos mal contados na Colômbia. Somos a principal força política, sem dúvida”. Essa declaração, que ecoou o tom de seu padrinho político, o presidente Petro, levantou preocupações sobre a legitimidade do processo eleitoral.
No entanto, ao ser questionado sobre as alegações nesta segunda-feira, Cepeda mudou seu discurso, reconhecendo os resultados preliminares que colocaram o ultradireitista Abelardo de la Espriella na liderança. “Até o momento, devo afirmar categoricamente que não encontramos nenhuma evidência ou indício de irregularidades flagrantes”, afirmou o senador em uma coletiva de imprensa em Bogotá, sem abrir espaço para perguntas. Ele ainda acrescentou que “não há irregularidades de dimensões suficientes para falar de fraude”.
Os resultados preliminares do Registro Nacional indicam que Espriella obteve quase 800 mil votos a mais que Cepeda, com 43,7% dos votos, superando o senador, que ficou abaixo das expectativas. Ambos os candidatos se preparam agora para o segundo turno, marcado para o dia 21 de junho.
A mudança de postura de Cepeda é notável, especialmente considerando que, horas antes, ele havia afirmado que as comissões de escrutínio precisavam esclarecer as supostas irregularidades antes de se pronunciar sobre o resultado. Agora, ele se refere ao resultado como algo que não deve ser minimizado ou banalizado, ressaltando a necessidade de respeito pela força política que representa.
A sigla de Cepeda, o Pacto Histórico, estava otimista quanto a uma vitória no primeiro turno, especialmente diante de um adversário que, segundo eles, é controverso. Espriella, conhecido por sua defesa de clientes ligados a grupos paramilitares, foi visto como um oponente que poderia ser derrotado facilmente, mas os resultados mostraram o contrário.
Pesquisas de intenção de voto indicavam que Cepeda poderia alcançar até 45% dos votos, enquanto Espriella estava em desvantagem. A polarização política na Colômbia, no entanto, parece ter influenciado o resultado, com o presidente Petro enfrentando uma desaprovação de 50,4% da população, mesmo enquanto sua popularidade estava em recuperação.
As declarações de Cepeda, que inicialmente ecoaram as do presidente Petro, levantaram preocupações sobre a integridade do processo eleitoral. Antes de seu discurso, Petro utilizou suas redes sociais para afirmar que não aceitaria os resultados da contagem preliminar, o que gerou ainda mais tensão no clima político do país. Com o desfecho das eleições se aproximando, o foco agora se volta para o segundo turno, onde a disputa promete ser acirrada.


