As vendas de preservativos Durex na China enfrentaram uma queda acentuada após o governo do país remover uma isenção fiscal que vigorava desde 1993. A nova alíquota de 13% sobre o IVA, introduzida no início deste ano, está entre as razões para a desaceleração das vendas, que caíram 5% no primeiro trimestre de 2026, segundo estimativas do banco de investimentos Jefferies. Essa queda é um contraste significativo em relação ao crescimento de mais de 40% registrado no ano anterior.
A Durex, marca de preservativos pertencente ao grupo Reckitt, viu suas vendas impactadas ainda mais pela implementação de regras de marketing mais rigorosas, que restringiram a promoção de produtos contraceptivos em plataformas de mídia social, como a Douyin, a versão chinesa do TikTok. Essas mudanças fazem parte de um esforço mais amplo do governo chinês para estimular a taxa de natalidade do país, que caiu para um mínimo histórico, com apenas 7,92 milhões de nascimentos registrados em 2025.
O governo chinês, preocupado com a iminente crise demográfica, já havia abandonado sua política do filho único em 2016 e, em 2021, permitiu que casais tivessem até três filhos. Além disso, foram introduzidos subsídios estatais para famílias com crianças pequenas, oferecendo 3.600 yuans (aproximadamente US$ 531 ou R$ 2.680) por ano para cada filho com menos de três anos.
A Reckitt, que controla mais de 30% do mercado de preservativos na China, viu suas vendas em mercados emergentes crescerem 7,6% no primeiro trimestre, embora isso represente uma desaceleração em relação ao crescimento de 14,6% registrado em 2025. O CEO da Reckitt, Kris Licht, mencionou que as vendas da Durex na China não atenderam às expectativas, em parte devido à nova alíquota do IVA e à concorrência mais intensa.
Além das mudanças fiscais, a empresa enfrenta desafios adicionais com o aumento dos custos de produção, especialmente devido ao fechamento do Estreito de Hormuz, que impacta a cadeia de suprimentos. A fabricante de preservativos Karex, da Malásia, anunciou que aumentaria os preços em até 30% devido a esses custos crescentes.
A Durex, que investiu fortemente no mercado chinês, incluindo a abertura de um centro global de Pesquisa e Desenvolvimento em Xangai, agora precisa se adaptar a um ambiente de vendas mais desafiador. As novas regulamentações também dificultam o marketing de preservativos, que dependia fortemente de transmissões ao vivo e interações diretas com os consumidores nas redes sociais. Um analista da Jefferies destacou que as novas regras podem limitar a eficácia das campanhas de marketing, tornando-as menos engajadoras.
Apesar das dificuldades, influenciadores ainda promovem os preservativos Durex na plataforma Xiaohongshu, embora a eficácia dessas campanhas esteja sendo questionada. Uma fonte próxima à Reckitt afirmou que, embora as novas regras tenham afetado o crescimento, não indicam uma deterioração estrutural na demanda por preservativos. A empresa está se ajustando às mudanças e buscando novas maneiras de se conectar com os consumidores em um cenário de marketing em transformação.



