Post: Polícia Federal pressiona por agilidade na nova proposta de delação de Vorcaro

Polícia Federal solicita agilidade na nova proposta de delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após rejeição anterior.
Polícia Federal pressiona por agilidade na nova proposta de delação de Vorcaro

A Polícia Federal (PF) está solicitando que a defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresente uma nova proposta de delação em um prazo mais curto do que o inicialmente estipulado. A primeira tentativa de colaboração foi rejeitada pela PF no último dia 20 por falta de elementos novos. A defesa de Vorcaro havia solicitado três semanas para elaborar a nova proposta.

Em um ofício enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a PF pediu que seja estabelecido um limite para o ‘regime excepcional’ concedido ao ex-banqueiro. Essa concessão permite que Vorcaro permaneça em uma cela especial na superintendência da PF em Brasília, onde pode interagir mais livremente com sua defesa na elaboração dos termos da delação.

O pedido da PF está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve se manifestar antes da decisão final de Mendonça. A legislação brasileira não define um prazo específico para esse tipo de negociação, que é um direito do investigado. Antes de formalizar a nova proposta, Vorcaro precisará assinar um novo acordo de confidencialidade, que é o primeiro passo nesse processo.

Após a avaliação da PF e da PGR, a proposta de delação deverá ser aprovada pelo ministro Mendonça. Nos bastidores, tanto o ministro quanto os policiais expressam ceticismo em relação ao acordo. Mendonça acredita que as operações da Compliance Zero demonstraram que a investigação pode prosseguir sem a necessidade da delação, considerando-a dispensável.

Além disso, há preocupações de que Vorcaro não tenha admitido fatos que constam em seus próprios telefones celulares, que foram apreendidos durante as investigações. Para os investigadores, o ex-banqueiro não cumpriu os requisitos de boa-fé exigidos nos acordos de colaboração, uma vez que tentou justificar os crimes cometidos, enquanto as regras da delação premiada exigem que o delator admita todos os ilícitos dos quais participou.

Atualmente, Vorcaro está preso desde o dia 22 na mesma cela onde produziu sua primeira proposta de colaboração. Essa cela já foi ocupada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora cumpre prisão domiciliar devido a problemas de saúde. A decisão de transferir Vorcaro para uma cela especial foi baseada em um parecer da PGR, que argumentou que, em uma cela comum, ele poderia se aproveitar do sistema prisional para obter informações de outros envolvidos no caso.

O ministro Mendonça também destacou que a cela comum é destinada geralmente a prisões de curta duração e caráter transitório, o que não se aplica ao caso de Vorcaro, que está em prisão preventiva sem uma data definida para sua libertação.

Últimas Notícias