Post: Seis fintechs da Faria Lima são investigadas por lavagem de dinheiro do PCC

Ministério Público investiga seis fintechs da Faria Lima por lavagem de dinheiro do PCC, movimentando R$ 26 bilhões em recursos ilícitos.
Seis fintechs da Faria Lima são investigadas por lavagem de dinheiro do PCC

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou nesta quinta-feira (28) uma nova operação que investiga o uso de fintechs pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e armas. A ação, denominada Fluxo Oculto, é um desdobramento da operação Carbono Oculto, realizada em agosto do ano passado, que revelou um esquema bilionário de fraudes em combustíveis envolvendo a facção. A operação atual se concentra em seis fintechs localizadas na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros do Brasil, que supostamente movimentaram cerca de R$ 26 bilhões em recursos ilícitos.

As investigações indicam que essas fintechs começaram a ser utilizadas pelo PCC após o bloqueio ou liquidação das anteriores, que já estavam sob investigação. O MPSP afirmou que essas empresas formam um núcleo financeiro poderoso, facilitando compensações financeiras internas entre distribuidoras de combustíveis e fundos de investimento geridos pela organização criminosa. Além disso, os recursos eram utilizados para pagamentos de colaboradores e despesas pessoais dos principais operadores da facção.

Durante a operação Carbono Oculto, foi descoberto que o PCC tinha R$ 30 bilhões investidos em 40 fundos geridos por fintechs da Faria Lima. A promotoria levantou indícios de que as administradoras desses fundos estavam cientes da origem ilícita dos valores, mas optaram por omitir informações para evitar rastreamento. A lavagem de dinheiro ocorria por meio de contas chamadas “conta bolsão”, que agregam recursos de diversos clientes em uma única conta, dificultando a transparência das transações. Apesar da proibição do Banco Central, essa prática continuou a ocorrer, adaptando-se a novas formas.

Além das fintechs, a operação também investiga o desvio de nafta petroquímica para abastecimento irregular de postos de combustíveis na Grande São Paulo. As apurações revelaram uma rede de falsificação de documentos e simulação de vendas de solventes para empresas-fantasma. Durante a operação anterior, as autoridades descobriram que o PCC importava nafta e metanol através do Porto de Paranaguá, no Paraná, para adulterar combustíveis e lavar dinheiro, movimentando cerca de R$ 52 bilhões ao longo de quatro anos.

Os investigados criaram empresas em diversos estados utilizando laranjas, incluindo parentes e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Essas empresas, que formalmente compravam solventes, desviavam o produto para o mercado clandestino. Os recursos obtidos eram enviados a fundos de investimento para ocultar os verdadeiros beneficiários da fraude, com quatro fundos e duas administradoras sendo alvos diretos da operação. Os fundos investigados possuem um patrimônio estimado em R$ 205 milhões e registraram um crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

A operação Fluxo Oculto representa mais um passo no combate ao ecossistema criminoso que sustenta financeiramente o crime organizado no Brasil. O foco agora é rastrear novas conexões e identificar outros participantes, interrompendo os mecanismos que garantem o fluxo de dinheiro das facções criminosas. Na época da deflagração da operação Carbono Oculto, autoridades destacaram que o PCC havia migrado da ilegalidade para a legalidade, com uma forte atuação no setor de combustíveis que se estende por anos.

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