Na cidade de Antalya, na Turquia, onde se realiza a 31ª Conferência das Partes (COP31) das Nações Unidas, banqueiros de alto escalão estão se preparando para integrar a inteligência artificial (IA) em todas as discussões sobre soluções climáticas. O evento, que começa na próxima segunda-feira, reunirá líderes governamentais, executivos do setor financeiro e organizações sem fins lucrativos para abordar compromissos climáticos e a eletrificação da economia global, um dos pilares da agenda da conferência. Daniel Hanna, chefe de finanças sustentáveis do banco Barclays, destacou que a IA será um tema central nas conversas, afirmando que ela pode impulsionar a demanda comercial a longo prazo, ajudando a acelerar a transição para a energia limpa. No entanto, a recente venda de ações de tecnologia foi impulsionada pela expectativa de novas regulamentações sobre a IA, especialmente em relação a padrões energéticos para data centers, que são cruciais no setor. Marisa Drew, diretora de sustentabilidade do Standard Chartered, mencionou que a infraestrutura de IA exigirá trilhões de dólares em investimentos e que regulamentações mais rigorosas podem ajudar os investidores a tomar decisões mais informadas sobre as empresas que gerenciam seus impactos ambientais e sociais. O uso da IA como solução para a crise climática é um tema controverso. Especialistas alertam sobre o alto consumo de energia e recursos naturais dos data centers. Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, expressou preocupações sobre a pegada de carbono da IA, descrevendo-a como uma tecnologia que consome muita energia. Um relatório do Standard Chartered, publicado antes da COP31, indicou que o crescimento dos data centers não é necessariamente sustentável, dependendo das escolhas locais feitas. Drew enfatizou a importância de práticas de projeto eficientes e da política pública para garantir que a IA contribua positivamente para o meio ambiente. Embora não haja uma estimativa precisa da pegada climática da IA, a Agência Internacional de Energia (AIE) projetou que o consumo de eletricidade dos data centers voltados para a IA deve triplicar até 2030. Atualmente, esses centros já representam cerca de 3% da demanda global de eletricidade. A Turquia, como anfitriã da COP31, se comprometeu a trabalhar com o setor de tecnologia para garantir que a IA seja utilizada para combater o aquecimento global. A meta da conferência é que 35% do consumo final de energia no mundo venha da eletricidade até 2035, um aumento em relação aos atuais 23%. Banqueiros, incluindo executivos do JPMorgan, planejam discutir como financiar essa transição durante a conferência. Luke Nelson, chefe de sustentabilidade do JPMorgan, afirmou que a eletrificação está diretamente relacionada à segurança energética, especialmente em um contexto de volatilidade nos preços do petróleo e gás devido a conflitos globais. Os profissionais do setor financeiro veem a eletrificação como uma megatendência que oferece diversas oportunidades de investimento, abrangendo não apenas a geração de eletricidade, mas também a infraestrutura necessária para suportá-la, como redes e armazenamento. O impacto da IA sobre o clima ainda é incerto, mas as escolhas feitas agora determinarão seu futuro. A COP31 promete ser um espaço crucial para discutir não apenas a eletrificação, mas também como a tecnologia pode ser aliada na luta contra as mudanças climáticas.




