A crise no Ueno Bank está colocando em risco cerca de US$ 60 milhões da Caixa Fiscal do Paraguai, o regime de aposentadoria dos servidores públicos do país. A afirmação foi feita por Silvio Piris, presidente da FEP (Federação de Educadores do Paraguai), em declarações ao jornal paraguaio ABC Color. O dirigente alertou que a situação atual deixou o sistema previdenciário dos servidores públicos à beira do colapso e anunciou uma greve nacional dos professores a partir desta segunda-feira (9), resultando na suspensão das aulas nas escolas públicas.
“Contribuímos com mais 3% para o fundo público, e é inaceitável que esse dinheiro se perca. Também exigiremos garantias de recuperação dos US$ 350 milhões pertencentes ao IPS, além da agilização dos processos de aposentadoria dos colegas que já tiveram o benefício aprovado”, declarou Piris.
Dados do Ministério da Economia e Finanças indicam que US$ 40 milhões do fundo público de pensões foram depositados no banco em certificados de depósito de poupança, enquanto outros US$ 19,8 milhões correspondem a juros ainda não recebidos. O IPS, por sua vez, tinha US$ 278,4 milhões aplicados na instituição. Esses certificados estão incluídos na garantia do FGD (Fondo de Garantía de Depósitos), semelhante ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) brasileiro, desde que cumpram as condições da legislação.
Representantes sindicais expressam preocupação com a incerteza sobre a recuperação dos valores e o ritmo das devoluções, o que ameaça a regularidade dos pagamentos aos aposentados e a sustentabilidade do sistema a longo prazo. “Os aposentados são os mais afetados por essa situação, porque não sabem por quanto tempo continuarão recebendo suas pensões. Nós, professores da ativa, também não sabemos se conseguiremos nos aposentar, porque o fundo público de pensões está praticamente falido”, afirmou Piris.
O escândalo financeiro desencadeou uma crise política no Paraguai, levando à prisão do ex-presidente Santiago Peña na sexta-feira (6), após a aprovação de seu impeachment pelo Congresso, em meio às investigações sobre sua relação com a instituição financeira. Peña foi investidor da holding controladora do banco e, em 2023, nomeou Carlos Carvallo, então presidente-executivo do Ueno, para comandar o Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo na companhia nesta semana e também teve uma ordem de prisão expedida na sexta.
A crise do Ueno Bank veio à tona após seu índice de solvência, que mede a capacidade de uma instituição financeira de absorver perdas, cair para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório exigido no Paraguai, que é de 12%. Investigações identificaram problemas na avaliação de risco de crédito, inconsistências nas informações financeiras utilizadas para aprovar empréstimos e operações com empresas ligadas aos acionistas do banco. Segundo o então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, as investigações também revelaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.



