As autoridades de Salvador estão investigando um suposto esquema para adesivar ônibus do transporte público no dia da votação do segundo turno das eleições presidenciais. Um áudio que circula entre os membros de um sindicato da categoria revela um plano detalhado para a colagem de adesivos eleitorais nos veículos urbanos, o que gerou polêmica após relatos de eleitores sobre a falta de transporte e a constatação de centenas de ônibus parados nas garagens.
Na gravação, o interlocutor orienta que os integrantes da central sindical assumam a responsabilidade pelas garagens e identifiquem quais ônibus poderiam circular. O plano sugere que, devido à quantidade limitada de material de propaganda, a prioridade seria a colagem de um único adesivo na parte dianteira de cada coletivo, visando otimizar o processo.
A legislação eleitoral brasileira proíbe expressamente a utilização de qualquer tipo de propaganda em veículos de transporte público, uma medida que busca garantir a neutralidade dos serviços essenciais e evitar que estruturas públicas sejam utilizadas em benefício de candidatos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fundamenta essa proibição em normas que visam equilibrar a disputa eleitoral, impedindo que o transporte coletivo, que atende uma parte significativa da população, sirva como suporte para mensagens políticas.
A gestão municipal, liderada pelo prefeito Bruno Reis, alegou que a operação de transporte foi prejudicada pela presença dos adesivos eleitorais. Segundo ele, os ônibus precisaram ser mantidos nas garagens até que as propagandas fossem removidas, causando atrasos e transtornos aos eleitores. Para evitar uma crise maior na mobilidade urbana, a Prefeitura decidiu liberar os coletivos mesmo com os adesivos. O prefeito também negou qualquer ordem para reduzir o serviço e atribuiu a confusão à atuação de representantes sindicais.
No dia da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a liberação imediata da frota total e chegou a ordenar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, uma medida que foi revogada dias depois. Ao mesmo tempo, uma fiscalização do Procon identificou 944 ônibus parados nas garagens das concessionárias, constatando que a maioria deles não possuía adesivos eleitorais. Diante desses fatos, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Polícia Civil foram acionados para investigar possíveis crimes eleitorais e apurar as responsabilidades do prefeito, secretários e sócios das empresas de ônibus.




