A Snap, empresa controladora do Snapchat, anunciou um acordo em um processo judicial que envolve dois adolescentes que alegam ter desenvolvido dependência da plataforma, resultando em problemas como depressão, ansiedade e distúrbios alimentares. Os advogados dos autores informaram sobre o acordo nesta segunda-feira (2), enquanto a seleção do júri já havia começado na semana anterior no tribunal estadual de Los Angeles. Este é o segundo julgamento sobre ações movidas por jovens que afirmam ter se tornado viciados em redes sociais, após processos semelhantes contra a Meta, TikTok e YouTube, que também foram resolvidos por acordos.
As autoras do processo, S.J., de 16 anos, e K.D.B., de 18, relataram que começaram a usar o YouTube aos três anos e outras plataformas por volta dos nove, desenvolvendo hábitos compulsivos que atribuem a funcionalidades como a reprodução automática e a rolagem infinita. Apesar das alegações, a Snap nega que suas plataformas foram projetadas para viciar os jovens, afirmando ter implementado medidas para criar ambientes seguros para a expressão dos usuários.
As redes sociais enfrentam uma onda crescente de processos judiciais, com alegações de que suas práticas contribuem para uma crise de saúde mental entre os jovens, manifestada em altos índices de ansiedade, depressão e até suicídio. No primeiro caso que foi a julgamento, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube negligentes, resultando em uma indenização de US$ 6 milhões para uma jovem.
Os dois adolescentes que estavam programados para julgamento chegaram a um acordo ou desistiram de suas ações contra as empresas, enquanto o primeiro distrito escolar envolvido no processo também resolveu suas demandas. Em agosto, a Meta concordou em um acordo de até US$ 18 bilhões para resolver ações judiciais relacionadas aos danos causados aos adolescentes, comprometendo-se a realizar mudanças nas funcionalidades do Instagram e Facebook voltadas para esse público. Parte do acordo condicionou US$ 5 bilhões do pagamento à realização de acordos semelhantes com a Snap, TikTok e YouTube. O impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens continua a ser um tema de intenso debate e investigação, refletindo a necessidade de um olhar atento sobre as práticas dessas plataformas.



