A Bulgária fez história neste domingo (1º) ao eleger Iliana Iotova como a primeira mulher presidente do país, de acordo com os resultados oficiais divulgados nesta segunda-feira (2). A vitória de Iotova, que obteve 57,6% dos votos, representa um fortalecimento da posição do atual primeiro-ministro, Rumen Radev, que apoiou sua candidatura. O ex-primeiro-ministro interino Andrey Gyurov, seu adversário, recebeu 39,5% dos votos, enquanto cerca de 2,95% dos eleitores optaram pela opção “não apoio ninguém”. A eleição foi marcada por um comparecimento baixo, refletindo um desinteresse que já se manifestava no primeiro turno, realizado em 25 de outubro, onde Iotova liderou com 34,6% dos votos, enquanto Gyurov ficou com 32%. O resultado ocorre em um contexto de tensão na região, com uma série de ataques com drones contra navios mercantes na costa búlgara do Mar Negro, que resultaram na morte de pelo menos 24 marinheiros. Esses incidentes geraram condenações internacionais e aumentaram as preocupações sobre os desdobramentos da Guerra da Ucrânia.
Tanto Iotova quanto Gyurov se manifestaram contra os ataques, e Radev comentou que os eventos beneficiam a Rússia. Iotova, que já foi vice-presidente e integrou o Parlamento Europeu, assumiu a presidência interinamente em janeiro, após Radev renunciar para concorrer às eleições parlamentares. Analisando o cenário político, muitos especialistas apontam que a plataforma de Radev é favorável ao Kremlin, o que levanta preocupações sobre a direção política do país.
Rumen Radev, um ex-piloto de caça e crítico da União Europeia, conquistou as eleições parlamentares em abril com quase 45% dos votos, um dos melhores desempenhos de um único partido na Bulgária em décadas. O país, que já passou por oito eleições em cinco anos, viu seu governo anterior cair após protestos contra um orçamento que previa aumento de impostos. Radev se opõe ao envio de ajuda militar à Ucrânia e criticou a adoção do euro pela Bulgária, defendendo a melhoria das relações com Moscou e a retomada do fornecimento de petróleo e gás russos à Europa, o que gerou comparações com o ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.
Iotova e Radev defendem uma saída diplomática para o conflito, enquanto Gyurov, que recebeu apoio de partidos reformistas e pró-Ocidente, se posiciona favoravelmente à Ucrânia. Durante seu breve mandato como primeiro-ministro, Gyurov assinou um acordo de cooperação em segurança com Kiev. Na Bulgária, a maior parte do poder de decisão está concentrada no Parlamento, o que torna as dinâmicas políticas ainda mais complexas.




