Post: Política de abertura de Milei provoca falências e aumenta desaprovação no governo argentino

Política de abertura de Milei gera falências e aumenta desaprovação do governo argentino, com 32 mil empresas fechadas e pobreza em alta.
Política de abertura de Milei provoca falências e aumenta desaprovação no governo argentino

A política de abertura econômica implementada pelo presidente Javier Milei na Argentina tem gerado um impacto profundo nas empresas locais, resultando em um aumento significativo no número de falências e uma queda acentuada na aprovação do governo. Desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023, mais de 32 mil empresas fecharam suas portas, representando cerca de 6% do total de companhias do país. Essa situação é alarmante, especialmente considerando que aproximadamente um terço da população argentina vive atualmente abaixo da linha da pobreza.

O cenário econômico se agrava com a retração da indústria, que recuou 3,2% neste ano, enquanto o comércio varejista e atacadista caiu 3,5% e a construção teve uma diminuição de 2,5%. Esses números refletem a fragilidade do consumo interno, que representa cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) argentino. A queda nas vendas, que atingiu até 40% em alguns setores, tem sido atribuída à concorrência desleal de produtos importados, especialmente após o governo suspender restrições comerciais.

Na fábrica de meias Eseka, localizada em Buenos Aires, a situação é crítica. O proprietário, Ricardo Kuchikian, relata que a empresa, que antes produzia quase 3 milhões de peças por mês, agora enfrenta dificuldades para se manter em operação. Com uma redução de 30% na força de trabalho e mais da metade das máquinas paradas, a empresa é um exemplo da crise que afeta o setor têxtil argentino. “O consumo caiu de forma muito acentuada nos últimos três anos”, afirma Kuchikian.

Os dados mais recentes indicam que o consumo na Argentina caiu 2,7% nos primeiros nove meses de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Embora as medidas de austeridade de Milei tenham conseguido reduzir a inflação de 200% para 30%, os benefícios ainda não chegaram à maioria da população. A pobreza, que havia diminuído em 2025, voltou a subir, afetando uma parcela significativa dos argentinos.

Economistas alertam que a economia do país pode já estar em recessão, com uma contração prevista de 1,5% no terceiro trimestre de 2026. Essa situação coloca a paciência dos eleitores à prova, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando em outubro de 2027, onde Milei deverá concorrer a um segundo mandato. A taxa de aprovação do presidente caiu para 36%, enquanto a desaprovação subiu para 56%, segundo pesquisa da consultoria Giacobbe y Associados.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela maioria das indústrias, alguns setores, como energia, mineração e agricultura, têm se destacado, impulsionados por exportações e investimentos em reservas de petróleo e gás de xisto. No entanto, esses setores não têm conseguido compensar as perdas dos mercados internos, que continuam sob pressão.

A expectativa é que a economia argentina continue a apresentar um desempenho desigual, com altos e baixos, ao longo de 2027. O governo, por sua vez, defende suas políticas, considerando as críticas como “estupidez colossal”, e reafirma seu compromisso com o plano econômico atual. Entretanto, muitos empresários temem que, se as políticas de Milei persistirem, a indústria nacional possa desaparecer, deixando um legado de falências e desemprego.

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