A recente volatilidade dos ativos brasileiros, acentuada pela reeleição de Lula, tem levado investidores a buscar alternativas de proteção e diversificação em suas carteiras. Analistas consultados pela Folha destacam que títulos públicos e CDBs (Certificados de Depósito Bancário) na renda fixa, além de ações de empresas de commodities e exportadoras, são opções viáveis para aqueles que desejam mitigar os riscos associados a esse cenário incerto.
Após o primeiro turno das eleições, a Bolsa atingiu um recorde histórico de 200 mil pontos, mas sofreu um recuo de 17,5% na semana passada. No mercado cambial, o dólar teve a maior alta semanal desde 2008, avançando 9,18%. Esse cenário reflete a crescente preocupação dos investidores com a instabilidade política e econômica do Brasil.
Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, observa que os setores mais afetados são aqueles sensíveis a juros, como empresas endividadas e setores cíclicos. Em contrapartida, as empresas exportadoras e aquelas que pagam dividendos tendem a se beneficiar com um câmbio real depreciado. Spiess ressalta que a queda acentuada dos ativos reflete um aumento do risco percebido no Brasil, mas ainda há espaço para empresas de qualidade, com receitas atreladas ao dólar.
A busca por diversificação também é um ponto destacado em um relatório do Itaú BBA, que aponta que as empresas de infraestrutura, como as do setor de energia elétrica e saneamento, apresentam características que as tornam atrativas em tempos de incerteza. Essas companhias possuem contratos corrigidos pela inflação e fluxo de caixa mais estável, o que pode garantir retornos reais de 11% a 15%.
Além disso, o pagamento de dividendos se mostra uma fonte importante de retorno em um ambiente de juros elevados, onde a valorização das ações pode ser limitada. A preferência por ativos reais, como imóveis e fundos imobiliários, também cresce, especialmente aqueles ligados à inflação, como forma de proteção contra a volatilidade do mercado.



