Neste sábado (31), as ruas da Alemanha se tornaram palco de intensos protestos da geração Z, marcados por fantasias de Halloween e um forte sentimento de desalento. Em mais de 30 cidades, dezenas de milhares de jovens se uniram para reivindicar proteção social e melhores oportunidades de emprego. A iniciativa, chamada “Gen Z Regelt” — que pode ser traduzida como “a geração Z manda” —, reportou a participação de 69 mil pessoas apenas nas 12 cidades onde organizou atos. No entanto, as manifestações se espalharam rapidamente, levando autoridades e políticos a expressarem preocupações sobre a possibilidade de violência, semelhante àquela observada em outros países, como a França.
Em Berlim, cerca de 5.000 pessoas se reuniram em frente ao icônico Portão de Brandemburgo. Louisa Hotzelmann, uma estudante de 25 anos, expressou sua frustração com o governo, afirmando: “Estou muito irritada com o governo, que age como se nada estivesse acontecendo. Eles estão gastando dinheiro com as Forças Armadas, mas não com educação nem com saúde.” Para Louisa, as reivindicações dos jovens alemães diferem das dos franceses, mas a raiva contra governos que ignoram as necessidades da população é um sentimento compartilhado. “Nossas lutas são diferentes, mas, ao mesmo tempo, todos sentimos a mesma raiva contra governos que agem como se nada estivesse acontecendo.”
A estudante acredita que os protestos na Alemanha precisam de mais intensidade. “Na França, há atos mais intensos, mais enfáticos. Acho que precisamos disso também aqui na Alemanha”, comentou. Louisa lembrou do histórico de manifestações na capital alemã, ressaltando que a energia de protesto parece ter diminuído. “Meio que perdemos aquela energia de protesto indignado, precisamos recuperá-la. Os franceses estão fazendo isso melhor do que a gente.”
Enquanto isso, na França, quase 500 mil pessoas foram às ruas no mesmo dia, segundo organizadores, ou 320 mil, segundo o Ministério do Interior francês. A comparação entre os dois países é inevitável, especialmente considerando que escaramuças com agentes de segurança ocorreram em diversas cidades alemãs durante os protestos. Em Hamburgo, canhões de água foram utilizados para dispersar manifestantes e apagar incêndios em tapumes de obra. Confrontos rápidos também foram registrados em Colônia, Stuttgart e Frankfurt, onde policiais ficaram feridos após serem atingidos por pedras.
Em Berlim, uma manifestação de movimentos jovens de esquerda, que não estava ligada ao evento principal, foi reprimida após os participantes lançarem rojões e sinalizadores contra os agentes. O grupo, composto por cerca de 500 pessoas, foi acompanhado por um número igual ou superior de policiais. Max, um estudante de ciências sociais que preferiu não revelar seu sobrenome, comentou: “Estamos aqui porque o sistema que está no poder atualmente está oprimindo nossas oportunidades como geração jovem, bem como as de todas as outras gerações que virão depois de nós.”
Linus, estudante de matemática, acrescentou que a questão da inteligência artificial é uma preocupação existencial que a maioria das pessoas ignora. “Acho que é quase como um protesto sem esperança”, disse ele, refletindo sobre o sentimento de desamparo que permeia as manifestações. Os protestos da geração Z na Alemanha, portanto, não apenas refletem uma insatisfação com questões sociais e econômicas, mas também uma busca por um futuro mais promissor em meio a desafios globais como a mudança climática e a crescente influência da tecnologia em suas vidas.



