Um ataque aéreo realizado por um drone russo resultou na morte de pelo menos 13 pessoas nesta quinta-feira (29) em uma estação de trem localizada em Dnipro, no centro da Ucrânia. O incidente ocorre em um momento de escalada de hostilidades, com Kiev realizando um de seus maiores ataques aéreos contra a Rússia desde o início do conflito, que se intensificou em 2022. A ofensiva ucraniana, que ocorreu durante a madrugada, utilizou drones de combate, conhecidos como aviões-robôs, numa tentativa de demonstrar força diante do inimigo.
A estação de trem foi atingida por um drone a jato, um modelo que se tornou mais comum nas operações russas neste ano. Esses drones são notoriamente mais difíceis de interceptar em comparação com os modelos a hélice, tornando-os uma ameaça significativa para as forças ucranianas. Além do ataque em Dnipro, a Rússia também foi acusada de afundar um navio grego que transportava grãos ucranianos perto da costa búlgaro, aumentando ainda mais as tensões na região do Mar Negro.
O ataque a Dnipro ocorreu logo após uma noite em que as defesas antiaéreas russas conseguiram derrubar um número recorde de 1.214 drones, superando o anterior recorde de 1.100 registrado em setembro. Entretanto, Moscou não divulgou quantos drones conseguiram atingir seus alvos, embora o ataque tenha causado danos materiais significativos em várias regiões da Rússia e resultou na morte de uma pessoa em Belgorodo, no sul do país.
A ofensiva de Kiev e as retaliações russas ocorrem em um contexto de negociações iminentes entre os dois países, mediadas pelos Estados Unidos, que devem acontecer no final da próxima semana. O objetivo de ambas as partes parece ser o de mostrar uma posição de força antes das conversações. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, expressou estranheza em relação ao ataque ucraniano durante a cúpula de líderes africanos que acontece em Moscou, onde 22 chefes de Estado estão presentes.
A cúpula Rússia-África, que teve sua primeira edição em 2019, foi considerada um sucesso em um período de crescente interação entre os governos africanos e Moscou. No entanto, a segunda edição, realizada em 2023 sob a sombra da guerra na Ucrânia, não atraiu o mesmo número de participantes, refletindo a deterioração das relações internacionais da Rússia. Isso ocorre em um momento em que o grupo mercenário Wagner, anteriormente apoiado por Putin, está em desordem após a morte de seu líder, Ievguêni Prigojin, em um atentado.
Enquanto isso, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se posicionar ao lado de Putin, pressionando o presidente ucraniano Volodimir Zelenski a aceitar um acordo que incluiria a compra de diesel russo. A situação continua a evoluir, com as consequências do conflito afetando não apenas a Ucrânia e a Rússia, mas também as relações globais e a dinâmica de poder na região.



