Os cidadãos de Israel vão às urnas nesta terça-feira (27) para escolher a 26ª composição do Parlamento, o Knesset. Com 36 listas partidárias registradas, as expectativas são de que apenas 11 consigam conquistar assentos, conforme apontam as pesquisas mais recentes. A disputa central gira em torno de dois protagonistas: Binyamin Netanyahu, atual primeiro-ministro com mais de 19 anos no poder, e Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, que busca encerrar o domínio político do adversário.
Entretanto, o sistema eleitoral israelense não permite que os cidadãos escolham diretamente seu premiê. Eles votam em listas partidárias que determinam a divisão das 120 cadeiras do Knesset. Após a votação, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos e indicará um parlamentar para tentar formar o governo. Essa escolha não precisa recair sobre o líder da legenda mais votada, mas sim sobre quem o presidente considerar ter mais condições de obter a confiança do Parlamento.
A última pesquisa do Canal 12, divulgada na sexta-feira (23), revela uma disputa acirrada. Na avaliação sobre quem seria o mais adequado para o cargo de primeiro-ministro, Gadi Eisenkot lidera com 44% das preferências, enquanto Netanyahu aparece com 38%. Aos 77 anos, Netanyahu é o político que mais tempo esteve à frente do país, tendo governado entre 1996 e 1999, retornando ao cargo em 2009 até 2021, quando foi afastado por uma coalizão de adversários. Ele recuperou o posto no final de 2022, apoiado por partidos ultraortodoxos e de extrema direita.
A campanha atual de Netanyahu se baseia nos resultados das operações militares realizadas após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023. O primeiro-ministro argumenta que os confrontos em Gaza, no Líbano e com o Irã fortaleceram a segurança de Israel, enquanto responsabiliza dirigentes militares e de inteligência pelas falhas que permitiram o ataque. Além disso, sua trajetória política é marcada por um julgamento por corrupção, do qual ele nega as acusações, e por um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, que o investiga por suspeitas de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza.
Internamente, seu governo enfrenta desafios, como a proposta de reforma do Judiciário, que é contestada pela oposição, e divergências sobre a isenção do serviço militar para homens ultraortodoxos. Netanyahu busca manter a aliança com partidos como o Shas e o Judaísmo Unido da Torá, que deixaram postos no governo em meio à disputa sobre o alistamento militar, além das legendas de extrema direita que compõem sua base de apoio.
A eleição de hoje poderá não apenas definir o próximo primeiro-ministro, mas também moldar o futuro político de Israel, dependendo das alianças que serão formadas entre os partidos após o resultado das urnas. Com a polarização política em alta, o cenário é incerto, e a expectativa é de que os resultados revelem um Knesset dividido, refletindo as complexas dinâmicas sociais e políticas do país.


