O responsável pelo ataque a tiros que resultou na morte de uma pessoa e ferimentos em cinco outras na cidade de Yvelines, próximo a Paris, foi novamente preso nesta segunda-feira (26). Kevin T., de 39 anos, havia sido liberado preventivamente devido ao seu estado psiquiátrico, mas um novo exame psiquiátrico realizado por um especialista descartou a necessidade de internação compulsória. A informação foi confirmada pelo procurador nacional antiterrorismo, Olivier Christen, em uma coletiva de imprensa.
Christen explicou que o novo exame não revelou sintomas alucinatórios nem sinais clínicos que justificassem a internação do suspeito. Ele também afirmou que a detenção pode ser mantida até quinta-feira (29). Kevin T. contestou a caracterização de seus crimes como racistas, embora não tenha negado a materialidade dos fatos. O ataque, que ocorreu na última sexta-feira (23), foi classificado pelo presidente francês Emmanuel Macron como um ato de terrorismo racista.
O ataque aconteceu em Trappes e La Verrière, áreas a oeste de Paris, onde o atirador disparou contra um posto de gasolina, um centro médico e um parquinho infantil. O homem que foi morto tinha 26 anos e era de origem africana. Entre os feridos, um deles era magrebino, e uma menina de 12 anos foi atingida por oito tiros, encontrando-se em estado grave. O ataque gerou grande comoção e preocupação em relação à segurança pública na França.
Após o ataque, Kevin T. foi encontrado em posse de uma metralhadora e granadas de gás lacrimogêneo em seu veículo. No dia seguinte, as autoridades informaram que ele havia sido transferido para uma unidade psiquiátrica, onde foi diagnosticado com esquizofrenia. Exames iniciais indicaram a presença de cocaína e cannabis em seu sangue, o que levantou questões sobre seu estado mental e motivação.
Além de Kevin, quatro pessoas de seu círculo familiar e de amizades foram detidas. Macron, ao comentar sobre o ataque, destacou que este foi um ponto de inflexão, sendo a primeira vez que um ato terrorista foi planejado para atingir compatriotas com base na cor da pele ou religião. O presidente também mencionou que o atirador decidiu não disparar contra algumas pessoas devido à sua aparência.
Na casa de Kevin, foi encontrado um exemplar de “Mein Kampf”, de Adolf Hitler, o que levantou ainda mais suspeitas sobre suas motivações. Durante o interrogatório, o suspeito alegou que seus atos eram uma forma de vingança contra comerciantes saqueados durante protestos sociais recentes. O caso continua a ser investigado pelas autoridades, que buscam entender mais sobre as motivações do atirador e as circunstâncias que levaram ao ataque.



