A experiência do coletivo é uma das mais sublimes que podemos vivenciar, e isso se torna evidente em diversas esferas da vida, como na corrida e na música. Recentemente, observei duas situações que ilustram essa ideia: a corrida como um ato individual que, paradoxalmente, se transforma em uma experiência comunitária, e a apresentação da Orquestra Jovem Tom Jobim, que representa o poder da colaboração artística. A corrida, que é frequentemente vista como uma atividade solitária, revela um espírito comunitário profundo. Em eventos de corrida, mesmo quando os participantes estão competindo individualmente, a energia do público e o apoio mútuo entre os corredores criam um ambiente de solidariedade. O treinador Ademir Paulino, que tem experiência no Quênia e na Etiópia, destaca que a competitividade desses corredores é alimentada pelo treinamento em grupo. Essa prática gera um senso de pertencimento, que ele descreve como “espírito tribal”. No Brasil, temos visto essa união em eventos que, embora tenham um objetivo político, também celebram a força do coletivo. As corridas realizadas em apoio a Lula, por exemplo, não apenas mobilizaram pessoas em torno de uma causa comum, mas também proporcionaram um momento de alegria e orgulho ao ver tantos desconhecidos reunidos, todos compartilhando a mesma ferramenta de deslocamento: seus próprios pés. Essa ideia de coletividade também se manifesta na música. A Orquestra Jovem Tom Jobim, composta por músicos bolsistas, é um exemplo brilhante de como a colaboração pode gerar resultados extraordinários. Recentemente, a orquestra foi indicada ao Grammy Latino na categoria de melhor álbum de música clássica, competindo com grandes filarmônicas do mundo. A dedicação e o talento desses jovens músicos, que se reúnem para criar uma sonoridade única, refletem a beleza do trabalho em equipe. Ambas as experiências, na corrida e na música, mostram que, apesar de serem atividades individuais em sua essência, o apoio mútuo e a colaboração podem transformar tudo em algo muito maior. O êxtase gerado por essas vivências coletivas é inegável e nos lembra da importância de estarmos juntos, seja na pista, seja no palco. Portanto, ao celebrarmos a força do coletivo, devemos reconhecer que, independentemente do contexto, a união pode ser uma fonte poderosa de motivação, transformação e alegria. O que vivenciamos em corridas e concertos é um testemunho de que, juntos, somos capazes de alcançar muito mais do que sozinhos. Em tempos em que a individualidade muitas vezes é exaltada, é crucial lembrar que a verdadeira força pode ser encontrada na coletividade. Seja através da corrida, da música ou de qualquer outra forma de expressão, a conexão humana é o que nos eleva e nos transforma. Assim, ao nos unirmos em torno de um objetivo comum, seja ele esportivo, cultural ou social, podemos experimentar o êxtase que vem da colaboração e do pertencimento. Essa é a essência do que significa ser parte de algo maior. A corrida e a música nos ensinam que, juntos, podemos criar momentos inesquecíveis, repletos de significado e emoção.




