Post: União Europeia planeja seguir exemplo de Trump e investir em minerais críticos

União Europeia considera seguir exemplo de Trump e investir em minerais críticos para reduzir dependência da China.
União Europeia planeja seguir exemplo de Trump e investir em minerais críticos

A União Europeia está considerando adotar uma estratégia semelhante à de Donald Trump, buscando adquirir participações em projetos de minerais críticos. A proposta, que visa reduzir a dependência de minerais provenientes da China, foi aprovada recentemente por parlamentares europeus e contempla a criação de uma agência com um orçamento de 2 bilhões de euros. Essa iniciativa se alinha aos esforços dos Estados Unidos e do Japão para garantir o fornecimento de matérias-primas essenciais para a defesa e tecnologias sustentáveis.

Os membros do Parlamento Europeu votaram a favor da formação de uma agência com poderes para comprar participações em empresas de matérias-primas, com o objetivo de proteger a segurança do abastecimento da União e monitorar o fornecimento em todo o bloco. A medida é vista como uma forma de minimizar a vulnerabilidade da Europa às oscilações de preços de minerais críticos, conforme destacou Mohammed Chahim, parlamentar social-democrata holandês que lidera a proposta. Ele enfatizou que a dependência de minerais chineses, utilizados em tecnologias como baterias e sistemas de energia verde, torna a Europa suscetível a manipulações de mercado.

A estratégia dos Estados Unidos, que inclui investimentos significativos na cadeia de suprimentos de minerais críticos, serve de modelo para a Europa. O governo Trump, por exemplo, investiu US$ 400 milhões para adquirir uma participação na produtora americana de terras raras MP Materials, além de estabelecer um preço mínimo para a venda de neodímio-praseodímio, um elemento-chave na fabricação de ímãs permanentes.

A proposta da União Europeia visa criar um Centro de Matérias-Primas Críticas que receberia 2 bilhões de euros do próximo orçamento de longo prazo do bloco. Essa iniciativa se inspira na abordagem do Japão, que busca manter a estabilidade no fornecimento de energia e minerais a preços acessíveis. Chahim afirmou que não é necessário reinventar a roda, mas sim adaptar soluções já existentes.

Os esforços da UE para garantir sua cadeia de suprimentos têm se concentrado em projetos estratégicos de mineração, processamento e reciclagem, que recebem autorizações mais rápidas, embora não garantam financiamento público. Recentemente, a União Europeia selecionou 46 novos projetos estratégicos, além dos 60 já existentes.

Chahim reconheceu que a proposta exigirá mais recursos de investidores privados, governos nacionais e do Banco Europeu de Investimento para competir com as iniciativas dos Estados Unidos e do Japão. Ele alertou que, se o orçamento permanecer em 2 bilhões de euros, as chances de sucesso do projeto são limitadas.

A Comissão Europeia planejava apresentar uma proposta legislativa para criar o centro em setembro, mas a iniciativa foi abandonada. Em vez disso, Chahim optou por trabalhar com autoridades e outros parlamentares para propor emendas à atual Lei de Matérias-Primas Críticas, que estabelece metas para a mineração e processamento de minerais na UE.

As medidas para permitir a compra de participações acionárias em circunstâncias excepcionais também precisarão da aprovação dos países-membros para serem implementadas. Chahim mencionou que havia ceticismo por parte de alguns países, como Alemanha e Espanha, mas que agora estão dispostos a dialogar sobre a proposta.

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