O Tesouro Nacional decidiu cancelar os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação programados para esta semana, especificamente para os dias 27 e 29 de outubro. A medida foi anunciada em um momento de grande tensão no mercado financeiro, que se intensificou após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo. Apesar do cancelamento, o leilão de papéis vinculados à taxa Selic, agendado para a terça-feira, permanece confirmado.
A decisão de suspender os leilões reflete a instabilidade que tomou conta do mercado, evidenciada por uma alta expressiva nos juros futuros e uma queda acentuada nos ativos brasileiros. A Bolsa de Valores, por exemplo, acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações em casos de quedas acentuadas. Esta é a primeira vez que o mecanismo é utilizado desde março de 2020, durante o pico da pandemia de coronavírus.
O circuit breaker é ativado quando o índice Ibovespa registra uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior, resultando em uma pausa de 30 minutos nas operações. Se a queda atingir 15%, a interrupção se estende para uma hora, e, em caso de uma perda de 20%, a B3 pode decidir suspender as negociações por um período determinado.
Em comunicado, o Tesouro Nacional afirmou que continuará a monitorar as condições do mercado e tomará medidas para garantir o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e ativos relacionados. A expectativa é que a situação se normalize à medida que os investidores se ajustem ao novo cenário político e econômico do país. A decisão de cancelar os leilões pode ser vista como uma tentativa de evitar maiores volatilidades e garantir a estabilidade do mercado financeiro neste momento delicado.




