Post: Orçamento de 2027 será fundamental para Lula ajustar a rota fiscal, afirma ex-secretário do Tesouro

Ex-secretário do Tesouro aponta que Orçamento de 2027 é crucial para Lula corrigir a rota fiscal e recuperar a credibilidade do governo.
Orçamento de 2027 será fundamental para Lula ajustar a rota fiscal, afirma ex-secretário do Tesouro

Os ajustes na proposta de Orçamento para 2027 serão essenciais para que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito recentemente, possa sinalizar uma correção de rota na política fiscal. Essa é a avaliação de Jeferson Bittencourt, chefe de macroeconomia no ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional. Segundo ele, Lula terá um prazo máximo de um mês para apresentar as sinalizações necessárias e recuperar a credibilidade junto ao mercado financeiro, que já demonstra reações negativas à sua reeleição. A expectativa do mercado era que o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, fosse eleito, reunindo melhores condições para reequilibrar as contas do país.

Uma das primeiras medidas que o presidente deve tomar é a indicação de um novo ministro da Fazenda. Bittencourt acredita que a formação de uma nova equipe econômica pode criar uma perspectiva de mudança e dar a Lula o “benefício da dúvida”, algo que não será possível caso ele opte por manter a equipe atual. “Qualquer um que ganhasse teria que dar uma sinalização em 2026 ainda, nesses dois meses que faltam. No caso da vitória do Lula, essa sinalização vai ter que ser bastante forte. Ele precisará apresentar um Orçamento que busque resultados mais contundentes”, afirmou.

O ex-secretário também destacou que as sinalizações sobre a nova equipe econômica incluem a nomeação dos novos diretores do Banco Central. Atualmente, duas cadeiras estão vagas e outras duas ficarão abertas em fevereiro de 2027. Em agosto, o governo enviou o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, prevendo um superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões, já considerando despesas que não estão sob as regras fiscais.

Entretanto, ao longo da campanha, Lula fez promessas que ainda não estão contempladas na proposta, como o perdão de dívidas a microempreendedores, a criação de um Pix de R$ 5.000 para MEI’s e a ampliação do teto de faturamento para se enquadrar na modalidade. Essas questões exigirão uma revisão cuidadosa do Orçamento, pois acomodar essas novas despesas será um desafio para o governo, que precisará equilibrar suas promessas de campanha com a realidade fiscal do país.

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