O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) delineou suas promessas econômicas durante a campanha para um possível quarto mandato, enfatizando a continuidade de políticas econômicas já implementadas, mas também introduzindo novas propostas. Segundo o programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a expectativa é de que haja uma leve melhora no resultado fiscal primário nos próximos quatro anos, sem cortes em programas sociais.
A campanha de Lula, que resultou em sua reeleição em 25 de outubro, destaca a importância de manter a política econômica atual, utilizando verbos como ‘continuar’, ‘seguir’ e ‘manter’ em quase 200 ocasiões. No entanto, o documento não aborda questões críticas levantadas por economistas, como o crescimento da dívida pública em relação ao PIB e a necessidade de um crescimento econômico sustentável.
O plano de governo prevê que o crescimento do PIB será impulsionado pela mobilização das potencialidades da economia brasileira, com foco em investimentos em infraestrutura, transição ecológica e fortalecimento do mercado interno. A previsão do Ministério da Fazenda é de um crescimento de 2% em 2026 e 2,3% em 2027.
Um dos principais problemas identificados no plano é a alta taxa de juros, que, segundo o documento, promove concentração de renda e desorganização econômica. A campanha promete criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, mas não fornece detalhes sobre como isso será alcançado, além da manutenção do arcabouço fiscal. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, considerada elevada.
Além disso, o governo se compromete a monitorar o endividamento das famílias e das empresas, mantendo os fundos garantidores de crédito e aprimorando as regras de concessão de empréstimos. A inadimplência das famílias atingiu 8% em agosto, um nível recorde. O governo também anunciou o programa Desenrola 3, que visa a renegociação de dívidas.
O plano não estabelece metas fiscais claras, mas a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027 prevê um resultado positivo equivalente a 0,5% do PIB, aumentando para 1,5% até 2030. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, mencionou que isso representaria uma economia de R$ 250 bilhões ao longo dos próximos quatro anos.
A política de valorização do salário mínimo também está prevista, com o governo projetando um salário mínimo de R$ 1.741 em 2027. No entanto, o plano não traz promessas específicas para o Bolsa Família, que já teve um reajuste de 15,04% anunciado durante a campanha, elevando o pagamento mínimo por família de R$ 600 para R$ 691.
Por fim, uma reforma dos impostos sobre consumo já aprovada começará a vigorar no próximo governo, substituindo cinco tributos por dois, simplificando a carga tributária e buscando maior eficiência no sistema fiscal. Essas promessas refletem um esforço do governo em equilibrar crescimento econômico e proteção social, embora muitos detalhes ainda permaneçam vagos.




