O governo cubano reagiu com ironia à recente convocação feita pelos Estados Unidos para que cubanos colaborem com a CIA. Em uma declaração pública, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que a iniciativa demonstra o “desespero” da administração americana. A provocação ocorre em meio a um aumento da pressão dos EUA sobre a ilha, que enfrenta uma grave crise econômica e social.
Na sexta-feira (23), Fernández de Cossío comentou em uma rede social que a CIA estaria tão desesperada que precisaria recorrer ao recrutamento público. Ele escreveu: “Deve haver muito desespero ou miséria dentro da agência para que ela seja obrigada a vender seus serviços como um tubo de pasta de dente.” Essa declaração reflete a tensão histórica entre os dois países, que se intensificou nos últimos anos, especialmente sob a administração de Donald Trump.
O apelo para a colaboração com a CIA foi feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que incentivou aqueles que desejam mudança em Cuba a se aproximarem da agência de inteligência. Em sua postagem, Rubio não forneceu detalhes sobre como essa parceria funcionaria, mas deixou claro que a intenção era promover uma mudança na ilha. O presidente Trump também se manifestou, afirmando que os EUA iriam “dar um jeito em Cuba” após resolver questões relacionadas ao Irã, e que Rubio seria enviado à ilha para “finalizar o acordo”.
A relação entre Cuba e os Estados Unidos é marcada por décadas de tensão e desconfiança. Os EUA mantêm um embargo econômico sobre a ilha há mais de 60 anos, e a administração Trump intensificou essa pressão, especialmente após a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar americana. Esse contexto contribui para a crise social que Cuba enfrenta atualmente, caracterizada por escassez de alimentos, combustíveis e serviços básicos.
Recentemente, o governo cubano também se manifestou na Assembleia Geral das Nações Unidas, reiterando sua disposição para dialogar com Washington, mesmo diante das ameaças de Trump de usar força militar na América Latina e no Caribe. A ambiguidade na abordagem de Trump em relação a Cuba, que alterna entre ameaças e propostas de negociação, tem gerado incertezas sobre o futuro das relações bilaterais. Em março, Trump chegou a afirmar que teria “a honra de tomar Cuba” e que poderia “fazer o que quiser” com a ilha, a qual classificou como uma “nação falida”. No entanto, em maio, ele expressou otimismo em relação a um possível acordo diplomático, independentemente de uma mudança no regime cubano.
Enquanto isso, a situação em Cuba se agrava. O bloqueio ao fornecimento de petróleo imposto pela Casa Branca intensificou a crise energética, resultando em frequentes apagões e na deterioração da infraestrutura do país. A falta de combustíveis e a crise social têm levado a população a protestos e a um crescente descontentamento com o regime comunista. A resposta do governo cubano à convocação dos EUA reflete não apenas a resistência diante da pressão externa, mas também a complexidade das relações entre os dois países, que continuam a ser moldadas por um histórico de desconfiança e hostilidade.




