O Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PC Chinês) se prepara para uma reunião crucial que ocorrerá entre os dias 26 e 29 de outubro, em Pequim. Este encontro é considerado um dos mais significativos antes do 21º congresso nacional da sigla, programado para o próximo ano, que poderá garantir a continuidade de Xi Jinping como secretário-geral do partido. A plenária, que foge da tradição de discutir planos quinquenais, terá como foco principal o “avanço contínuo da governança partidária abrangente e rigorosa”, conforme anunciado pela agência estatal Xinhua.
A reunião será a quinta plenária do atual Comitê Central, eleito em 2022, e reunirá membros titulares e suplentes, sendo a maior instância de decisão do partido. O estatuto do PC Chinês exige ao menos uma plenária por ano entre os congressos nacionais, embora na prática ocorram em média sete. A relevância desta plenária se destaca pela ênfase na governança política partidária, que deve não apenas definir a data do próximo congresso, mas também iniciar a transição da cúpula política, prevista para se concretizar no segundo semestre de 2027.
Damien Ma, diretor da organização Carnegie China, observa que o próximo ano será o mais próximo que o sistema chinês já chegou de uma “temporada de campanhas”. Ele destaca que as movimentações de pessoal se intensificarão, a disciplina partidária se fortalecerá e as disputas políticas e negociações se tornarão mais acirradas. Grande parte desse processo, como já é sabido, ocorrerá de maneira opaca, característica do funcionamento interno do partido.
A escolha da pauta para esta plenária contrasta com as agendas de plenárias anteriores, que costumavam se concentrar em planos quinquenais, documentos que definem as prioridades e estratégias de desenvolvimento da China para os próximos cinco anos. A atual discussão sobre disciplina e centralidade do partido reflete os expurgos que ocorreram nos últimos anos dentro do PC Chinês e da Comissão Militar Central. Recentemente, cinco dos sete membros da comissão foram expulsos ou investigados por corrupção, restando apenas o vice-presidente, general Zhang Shengmin, e Xi Jinping.
Um editorial publicado em janeiro no jornal das Forças Armadas, o PLA Daily, destacou que os generais Zhang Youxia e Liu Zhenli, ambos figuras proeminentes na comissão, “traíram gravemente a confiança do partido”. Esses eventos ressaltam a crescente preocupação com a disciplina interna e a lealdade ao partido, temas que devem dominar as discussões na plenária da próxima semana.



